05 Janeiro 2026
Após uma cerimônia de posse centrada nos temas da inclusão e da diversidade étnica, cultural e religiosa, terminada a festa, surgiram as primeiras polêmicas. Descendo do palco onde jurou sobre o Alcorão perante o senador Bernie Sanders, Zohran Mamdani assinou uma série de decretos executivos, alguns referentes à proteção de inquilinos e à criação de duas forças-tarefa para acelerar a construção de novas moradias. Outra ordem executiva revoga todas as ordens emitidas também sobre antissemitismo e Israel, pelo ex-prefeito Eric Adams, após seu indiciamento em setembro de 2024 por acusações federais por corrupção. A acusação foi posteriormente arquivada a pedido do Departamento de Justiça e do governo Trump. "Aquela data marcou o momento em que muitos nova-iorquinos perceberam que a política não tinha mais nada a lhes oferecer", afirmou Mamdani, explicando os motivos de sua decisão.
A reportagem é de Simona Siri, publicado por La Stampa, 03-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Os protestos mais acalorados foram desencadeados pela revogação da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), que afirma que certas formas de crítica a Israel são antissemitas. Adams havia ordenado que as agências municipais adotassem a definição da IHRA em junho: ela afirma que é antissemita argumentar que "a existência do Estado de Israel é um empreendimento racista", uma formulação que, como alguns observaram, teria sido problemática para o próprio Mamdani, visto que o novo prefeito declarou repetidamente que "reconhece Israel, mas não como Estado judaico". A definição da IHRA foi adotada por uma ampla gama de instituições, mas também gerou oposição daqueles que argumentam que incluir certas formas de crítica a Israel limita a legítima liberdade de expressão política. A ordem executiva de Mamdani também revogou uma ordem de Adams que se opunha à campanha de boicote contra Israel.
Mamdani é um antigo defensor do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que defende a aplicação de pressão econômica sobre o governo israelense e empresas israelenses em protesto contra o tratamento dado aos palestinos em Gaza e na Cisjordânia. A ordem proibia funcionários do governo municipal de tomarem qualquer medida relacionada a licitações públicas ou de adotarem qualquer política "que discrimine o Estado de Israel, os cidadãos israelenses com base em sua origem nacional, ou indivíduos ou entidades com base em sua associação com Israel", e ameaçava submeter os funcionários a processos disciplinares caso violassem essa proibição. "Desde o seu primeiro dia como prefeito de Nova York, Mamdani mostra sua verdadeira cara: ele está abolindo a definição de antissemitismo da IHRA e revoga as restrições ao boicote a Israel", bradou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em um post. "Isso não é liderança. É gasolina antissemita jogada num fogo já descontrolado."
No entanto, Mamdani afirmou que pretende manter o departamento do Prefeito para o Combate ao Antissemitismo, criado por seu antecessor. "Trata-se de uma questão que levamos a sério e faz parte do nosso compromisso assumido em relação aos judeus nova-iorquinos, não apenas para protegê-los, mas também para celebrar e valorizar sua cultura", declarou ele durante sua primeira coletiva de imprensa. O diretor do departamento, o rabino Moshe Davis, na quarta-feira declarou que ainda não havia recebido nenhuma comunicação da equipe de Mamdani e que não estava claro se ele permaneceria no cargo, como agora parece. O gabinete de Mamdani também afirmou que pretende manter em vigor — embora com algumas modificações não especificadas — uma ordem emitida por Adams exigindo que o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) passe a limitar os protestos em frente a locais de culto, ordem emitida depois que ativistas pró-Palestina organizaram um protesto em frente a uma sinagoga no Upper East Side, onde acontecia um evento organizado por um grupo que promove a imigração para Israel.
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