"No sulco aberto, o Papa prega o acolhimento". Entrevista com James Martin

Foto: Pexels/Canva

Mais Lidos

  • A salvação do presbítero está no humano. Artigo de Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos

    LER MAIS
  • Um grupo de bispos da Igreja Católica Romana intitulado "Bispos do Diálogo pelo Reino" acaba de publicar um texto de reflexão sobre o momento político vivido no Brasil

    LER MAIS
  • Antes de 1870, ninguém amava o papa: a perda de um principado fabricou o rosto que governa a Igreja. Entrevista com Alberto Melloni

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

08 Setembro 2025

James Martin, jesuíta conhecido nos Estados Unidos por seu incansável apoio pastoral aos católicos LGBTQ+ e um dos promotores da peregrinação a São Pedro, tem certeza de que o Papa Leão XIV, que o recebeu há poucos dias no Vaticano, dará continuidade às aberturas do Papa Francisco.

A entrevista é de Iacopo Scaramuzzi, publicado por La Repubblica, 07-08-2025.

Eis a entrevista.

Tudo isso seria imaginável apenas alguns anos atrás?

Não, não teria acontecido antes do Papa Francisco.

Mas também no Jubileu Extraordinário de 2015-2016, não houve uma peregrinação LGBTQ+: as pessoas têm menos receio de se assumir?

É um processo do Espírito, e o Espírito precisa de algum tempo para converter os corações. Quanto mais pessoas se assumem, mais paróquias, dioceses e bispos acabam sendo envolvidos. Dizem que as pessoas LGBTQ+ são uma minoria, o que é verdade, mas seus pais, seus irmãos e irmãs, seus amigos, seus vizinhos, seus colegas de trabalho são um grupo grande.

No catecismo, porém, a homossexualidade continua sendo "uma inclinação intrinsecamente desordenada". Isso mudará?

Para muitos, isso é uma dificuldade, mas o catecismo também diz que os homossexuais devem ser tratados com respeito, compaixão e sensibilidade. Lembro também que o ensinamento da Igreja não é simplesmente uma livro, é uma pessoa, Jesus, que sempre ia ao encontro das pessoas marginalizadas.

O que mais o impressionou na missa celebrada antes da peregrinação?

O fato de dom Savino ter contado que o Papa lhe disse: vá e celebre a missa.

O senhor foi recebido por Leão há poucos dias: como foi?

Ele foi muito aberto, muito relaxado, muito sereno, e sua mensagem é que ele dará continuidade à abertura do Papa Francisco em relação às pessoas LGBTQ+.

No entanto, parece mais calmo; talvez falará menos sobre esse tema?

Acho que apenas se trata de uma personalidade diferente. E também é mais jovem, então não tem a pressa que Francisco tinha. Mas ele é um ótimo ouvinte, muito inteligente, e acho que será um amigo para as pessoas LGBTQ+.

Sua audiência com o Papa desencadeou os protestos habituais dos conservadores: o que pensa a respeito?

Se eles estão decepcionados por ele ser uma pessoa aberta e que escuta, eu realmente não entendo qual é o problema.

Os conservadores, no entanto, existem e não aceitam as aberturas em relação a gays, lésbicas e pessoas trans. O que prevê: eles se convencerão, se oporão, haverá um cisma?

Não acho que haverá um cisma, mas acho que os debates, as discussões e os fatos não são tão convincentes quanto os encontros: o que realmente muda a mentalidade das pessoas é descobrir que alguém em sua família é homossexual, ou que alguém de seu círculo, que conhecem e amam, é homossexual e se assume. Encontrar-se com essas pessoas, não as ver mais como categorias e estereótipos, mas como seres humanos. Quanto mais pessoas se assumem, quanto mais cardeais e bispos, padres e freiras descobrem que têm, por exemplo, um sobrinho ou sobrinha homossexual, mais as coisas mudam. É aí que acontece a conversão.

Leia mais