26 Março 2025
Durante sua visita ao país asiático, o presidente iniciou uma ofensiva diplomática visando fortalecer as negociações climáticas e promover a COP30, que ocorrerá no Brasil.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 25-03-2025.
Em viagem oficial ao Japão, o presidente Lula aproveitou o jantar de estado com o imperador Naruhito para iniciar a “ofensiva diplomática” para impulsionar a participação dos líderes internacionais na COP30, que acontecerá em novembro na cidade de Belém (PA). Em discurso, o mandatário brasileiro lembrou os 130 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Japão e defendeu o “firme engajamento” do país asiático nas negociações climáticas deste ano.
“Japão e Brasil são parceiros estratégicos. Compartilhamos valores como a democracia, a paz, o multilateralismo e o desenvolvimento sustentável”, disse Lula. “Como país que abriga a maior floresta tropical e reserva de água doce do mundo, e que conta com um vasto mar territorial denominado ‘Amazônia Azul’, o Brasil está comprometido com um modelo de sustentabilidade baseado na inclusão social. Contamos com o firme engajamento do Japão na COP30”.
Agência Brasil, Band, Correio Braziliense, Estadão, Metrópoles e O Globo, entre outros, repercutiram o discurso de Lula no Japão.
A ofensiva diplomática em prol da COP30 também conta com a participação do presidente-designado da Conferência, embaixador André Corrêa do Lago, na edição deste ano dos Diálogos Climáticos de Petersberg, em Berlim (Alemanha). Como anfitrião da COP, o Brasil copreside o evento, que conta com a participação de negociadores, observadores e especialistas.
“A edição deste ano [do Diálogo de Petersberg] tem um peso particular, pois representa um passo crucial para alcançar resultados bem-sucedidos na COP30 em Belém – a primeira convocada após um ano civil completo em que o mundo excedeu o limite de temperatura de 1,5ºC estabelecido pelo Acordo de Paris”, destacou o embaixador. A AFP também repercutiu a fala.
O clima também será destaque na agenda do ministro Fernando Haddad (Fazenda), que estará na França na próxima semana. Ele participará de um evento de celebração dos 10 anos do Acordo de Paris na universidade Sciences Po, na capital francesa. A passagem do ministro serve para preparar o terreno para a visita que Lula fará ao seu contraparte francês, Emmanuel Macron, em junho. O Valor deu mais detalhes.
Já no Rio de Janeiro, a secretária de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda, embaixadora Tatiana Rosito, afirmou para jornalistas que o Brasil quer uma agenda “mais ousada” sobre financiamento climático para a cúpula do BRICS, que acontece em julho na capital fluminense. Segundo ela, um dos objetivos da presidência brasileira é mobilizar o grupo para viabilizar os compromissos climáticos assumidos pelos países desenvolvidos na última COP29, no ano passado.
“O que está sendo discutido é a mobilização de US$ 1,3 trilhão de recursos mais amplos de todas as fontes públicas e privadas. Não está em discussão ampliar as NDCs [Contribuições Nacionalmente Determinadas] ou novos financiamentos não voluntários de países em desenvolvimento”, disse Rosito, citada pelo Valor.
As brigas internas do governo federal sobre a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas e outros impasses em torno de indicações para cargos importantes da COP30 estão atrapalhando a preparação política do país para as negociações em Belém. Em sua coluna no Jornal Eldorado (Estadão), o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, alertou que a paralisia burocrática atrapalha as chances de sucesso da COP. “O mundo já está jogando contra. Se a gente não se organizar nem para dentro e destravar nossa burocracia, vai ficar bem difícil caminhar com o que o mundo precisa, que é uma COP com ótimos resultados”, destacou.