Trabalhadores argentinos são resgatados de condições análogas à escravidão em Vacaria (RS)

Foto: MPTRS / Brasil de Fato

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Fevereiro 2025

Adolescente de 17 anos estava entre os três resgatados. Empregador foi obrigado a pagar verbas rescisórias e custear retorno à Argentina

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 20-02-2025.

Mais três trabalhadores argentinos foram resgatados em condições análogas à escravidão durante a colheita de legumes em Vacaria, na Serra gaúcha. A operação foi realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Delegacia de Polícia Civil do município. Entre os resgatados, estava um adolescente de 17 anos.

A ação foi desencadeada após denúncia recebida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no dia 13 de fevereiro. Os relatos indicavam despejo de trabalhadores após reclamações sobre falta de pagamento, escassez de alimentos e ameaças feitas pelo responsável pelo alojamento, que utilizava armas para intimidá-los.

Durante a inspeção, os fiscais constataram que os trabalhadores viviam em um alojamento improvisado, sem camas, com instalações elétricas precárias e sem porta. Nas plantações de cenoura, beterraba e cebola, não havia estrutura de apoio. As refeições eram feitas no mato, sob tendas improvisadas de lona, e os trabalhadores atuavam sem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Os salários, já baixos, sofriam descontos abusivos, como cobranças elevadas por alimentos, bebidas e pelo próprio alojamento inadequado. Ao final de uma semana de trabalho, os pagamentos variavam entre R$ 100 e R$ 150.

Providências e retorno à Argentina

Após o resgate, os trabalhadores foram acolhidos por instituições locais. O empregador foi notificado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho e assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), comprometendo-se a pagar as verbas salariais e rescisórias, além de arcar com o transporte para o retorno dos trabalhadores à Argentina.

O MTE também providenciou a emissão de CPF, Carteiras de Trabalho e garantiu o acesso ao seguro-desemprego, com o pagamento de três parcelas de um salário mínimo.

Esta foi a terceira operação de resgate de trabalhadores argentinos em situação semelhante no Rio Grande do Sul em 2025. A Auditoria-Fiscal do Trabalho reafirmou seu compromisso em intensificar fiscalizações para combater a exploração laboral e garantir os direitos trabalhistas.

Leia mais