21 Agosto 2024
Imagem de ribeirinho salvando boto em leito seco do rio Madeira viraliza e revive trauma da estiagem de 2023, que pode ser pior este ano.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 21-08-2024.
Um vídeo que viralizou nas redes sociais escancara a gravidade da seca na Amazônia. Nele, um ribeirinho está com um boto nos braços. O animal ficou encalhado em um banco de areia no leito seco do rio Madeira, e o homem corria para levá-lo para um trecho ainda cheio do rio, mostra o Portal do Holanda. Inevitável não lembrar dos mais de 100 botos mortos no lago Tefé, no rio Solimões, pela estiagem extrema e o superaquecimento da água em 2023.

Foto: Reprodução | Instagram
Assim como ocorreu em 2023, a estiagem chegou antes do tempo habitual, afetando comunidades e a vida selvagem. E tudo indica que a tragédia será mesmo pior neste ano. Somente no Amazonas, 20 municípios estão em situação de emergência por conta da seca, informam CBN, A Crítica e Amazonas Atual, com 27 mil famílias afetadas – 111.959 mil pessoas, segundo a Defesa Civil do estado.
No domingo (18/8), o Solimões atingiu, em Tabatinga (AM), uma cota de 2 centímetros, a menor para o mês de agosto desde o início das medições. Antes disso, o nível mais baixo já registrado havia sido de 8 centímetros em 2005, lembra o Poder 360. Para se ter uma ideia da gravidade deste recorde, a média para o mês é de 4,45 metros, segundo o Sistema Integrado de Monitoramento e Alerta Hidrometeorológico (SipamHidro).
Admirável a atitude do ribeirinho, mas que tristeza ver a Amazônia neste estado. A cena é no Rio Madeira, que vive a pior seca de sua história. pic.twitter.com/5IAuVzse4m
— Leandro Barbosa (@Barbosa_Leandro) August 19, 2024
Na 2ª feira (19/8), o rio Negro atingiu um nível crítico de vazante em Manaus, com 22,76 metros, informou a Defesa Civil do Amazonas. Dados do Porto de Manaus mostram que, só em agosto, o rio caiu 2,42 metros, totalizando uma redução de 4,09 metros desde o início da vazante. A situação é a mesma nas bacias do Alto Solimões, Médio Solimões e Médio Amazonas. Todas, segundo a Defesa Civil, estão em nível crítico de vazante, relata o g1.
Em julho, por causa das previsões de temperatura acima e das chuvas abaixo da média, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) e o governo do Amazonas alertaram para a possibilidade de seca severa na região. O pico da vazante ainda é esperado para outubro, tanto no Solimões, como nos rios Negro e Amazonas.
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