O Sínodo e o futuro da Igreja: o que os católicos querem

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26 Abril 2023

Bispos e leigos realizaram reuniões continentais para preparar a pauta da assembleia do Sínodo em outubro. Seus relatórios revelam uma diversidade de opiniões e esperanças de reforma.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 25-04-2023. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As expectativas que os católicos de todo o mundo expressaram sobre o futuro da Igreja durante o processo sinodal em curso foram resumidas em cerca de 200 páginas.

A Secretaria Geral do Sínodo reuniu um grupo de teólogos em Roma de 12 a 19 de abril para examinar essas páginas, que incluem os relatórios que bispos e leigos elaboraram nos últimos meses durante as assembleias continentais ou regionais.

Esses textos serão usados para elaborar o Instrumentum laboris (ou documento de trabalho) para a próxima assembleia internacional do Sínodo em outubro. O novo documento deverá ser divulgado em algum momento do mês de maio.

E o que ele provavelmente dirá? Em primeiro lugar, os católicos estão pedindo a reforma da Igreja, algo que parece necessário a fim de responder à secularização e a outras questões que todas as sociedades têm em comum – como as mudanças climáticas, a violência e a guerra.

Atenção às “margens”

Cada continente identificou “tensões” que a Igreja deve enfrentar, até mesmo dentro de suas próprias fronteiras. Entre as sete tensões identificadas pelos europeus, encontramos, por exemplo, a liturgia, a articulação entre a Igreja hierárquica e a Igreja sinodal, entre o global e o local.

A crise dos abusos sexuais e as questões relativas à credibilidade da Igreja também são citadas, como na América do Norte. O tema da inclusão das pessoas nas “margens” está muito presente, mas sua definição difere de acordo com os continentes: os homossexuais na Europa, os polígamos na África e na Oceania, as mulheres e os jovens em todo o lugar.

Entre essas “tensões”, destaca-se aquela entre “misericórdia” e “verdade”.

“Os jovens querem uma Igreja próxima das pessoas, incluindo aquelas nas margens, aberta aos problemas das pessoas divorciadas e recasadas, das pessoas LGBTQIA+”, dizem os representantes eslovenos, citados pelo relatório europeu. “Mas também querem que a Igreja diga claramente que nem tudo é aceitável! Portanto, a Igreja deve escutar, mas também deve dizer toda a verdade com muito amor!”

Mais espaço para as mulheres

O papel das mulheres também é uma das questões centrais nessas reflexões. Todos os relatórios expressam o desejo de dar às mulheres mais responsabilidade e garantir que elas possam participar dos processos decisórios.

Ao propor métodos para abordar essa questão, as recomendações variam: os autores do relatório do Oriente Médio pedem uma “reflexão séria” sobre o diaconato feminino; alguns membros da Oceania propõem a ordenação delas como padres.

Diante dessas tensões, os católicos de todo o mundo estão definindo suas “prioridades”, mas estas variam muito de continente para continente.

Os autores do relatório africano defendem a luta contra o “colonialismo econômico”, enquanto os sul-americanos desejam renovar a “opção preferencial pelos pobres”. O tema da inculturação da liturgia e, portanto, de sua adaptação às sensibilidades locais está especialmente presente na África e na Oceania.

Por meio desses relatórios, a Igreja parece estar aceitando, pela primeira vez publicamente – pelo menos nessa escala –, divergências internas reais. Por exemplo, no relatório europeu, os albaneses expressam o medo de que “a reforma inapropriada da Igreja possa minar a mensagem do Evangelho”.

“Acreditamos que não é certo para a Igreja se adaptar ao ‘mundo’ para não se sentir perseguida ou ser considerada ‘antiquada’”, diz o relatório, preparado em Praga.

“Não estamos apenas em um mundo multipolar, mas também em uma Igreja multipolar”, disse a Ir. Nathalie Becquart, subsecretária da Secretaria do Sínodo, em uma coletiva de imprensa em 20 de abril.

E a Igreja Católica agora terá que lidar com essa diversidade aceita, à medida que o Sínodo se prepara para sua assembleia geral em outubro, em Roma.

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