Francisco e a “diplomacia do leopardo” para conter Moscou

Foto: Mazur/cbcew.org.uk

Mais Lidos

  • Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove evento em memória ao centenário do agrônomo e ambientalista brasileiro nesta quinta-feira, 20-08-2026, às 17h30min

    José Lutzenberger, 100 anos. Da Borregaard às enchentes: os alertas ignorados

    LER MAIS
  • Para a pesquisadora, o design das plataformas deixou de ser apenas uma escolha estética de interface e se tornou o principal ator tecnopolítico das Big Techs, moldando o comportamento dos usuários e impactando diretamente o debate democrático

    Economia da atenção: o design algorítmico a serviço da estetização da política. Entrevista especial com Anna Bentes

    LER MAIS
  • Qual é o pior momento do ateu? Artigo de Leonardo Boff

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

24 Março 2023

Desta vez, o símbolo da paz não é uma pomba, mas um leopardo das neves. Um felino em risco de extinção que o papa gostaria de visitar na Rússia siberiana, um expediente para manter vivas as relações com Moscou em meio a tanta turbulência.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 23-03-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um cenário a meio caminho entre visão onírica e história de espionagem cuja fonte – única – é um personagem que por sua vez parece sair de um romance: Leonid Sebastianov, presidente da “União Mundial dos Velhos Crentes”, marido de Svetlana Kasyan, uma cantora de ópera que tem alguma familiaridade com o papa. Tanto que – é uma das poucas provas documentais de todo o caso – nos últimos meses, Francisco enviou ao casal um bilhete de próprio punho. “Falei com o embaixador russo e disse a ele que estava disposto a viajar para Moscou”, escrevia o papa na nota publicada em maio pela Askanews: “Estou disposto a trabalhar pela paz".

Agora, segundo Sebastianov, Francisco teria "adotado" um leopardo do parque nacional de Vladivostok, rebatizando-o com o nome de Martin Fierro, o falecido gaúcho argentino século XIX que se opunha orgulhosamente aos colonizadores europeus. O leopardo como metáfora de orgulho russo e manifestação de empatia por suas reivindicações? Em declaração à Tass, Sebastianov, homem com sólidos contatos no círculo íntimo de Putin, declarou que o Papa teria até expressado o desejo de fazer uma etapa em Vladivostok no próximo mês de setembro em seu retorno de uma viagem à Mongólia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ficou surpreso: “Não sei de nada, aguardamos uma declaração do Vaticano”. Mais que uma desmentida, uma meia-abertura.

O Palácio Apostólico, por sua vez, manteve-se em silêncio: nem mesmo a visita à Mongólia, de resto, já está decidida. Certamente Bergoglio, desde o início da guerra, tentou intervir sobre Putin, mas sem resultados. No entanto, a tentação de mostrar um Papa que está do lado da Rússia, e de seus leopardos, pode fazer parte dos planos de Moscou. Só que o WWF – há anos engajada no repovoamento do felino – acaba de ser expulsa da Rússia, tachada como "agente estrangeiro". Quem sabe, porém, se manter os canais abertos com a "diplomacia do leopardo" no momento oportuno não possa ajudar a mediação para a paz do Pontífice.

Leia mais