Alemanha: Caminho Sinodal não aprova texto-base sobre moral sexual

Quarta Assembleia do Caminho Sinodal Alemão: Manifestação de vários grupos a favor das reformas da Igreja Alemã em frente ao Centro de Eventos de Frankfurt | Foto: Synodaler Weg/Maximilian von Lachner

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12 Setembro 2022

 

Decepção e surpresa na “sala da harmonia” do centro de congressos de Frankfurt, onde, nessa quinta-feira, 8, foram abertos os trabalhos da quarta assembleia do Caminho Sinodal da Igreja alemã, a penúltima do calendário.

 

A reportagem é de Sarah Numico, publicada por Avvenire, 09-09-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

O que desencadeou a decepção da maioria foi o resultado da votação do documento-base sobre a moral sexual, um terremoto. O texto, aprovado por 82% dos presentes e com 17% dos votos contrários, não obteve, porém, os dois terços dos votos dos bispos presentes, um percentual que, segundo o estatuto sinodal, é indispensável para a aprovação dos textos teológicos de fundo (houve 33 votos dos bispos a favor, 21 contra e três abstenções dos 57 presentes entre os 69 membros da Conferência Episcopal). Portanto, o documento não foi aprovado.

No debate que antecedeu a votação, as posições expressadas, inclusive pelos bispos, soavam amplamente a favor de um documento que certamente marcaria uma ruptura com o ensinamento da Igreja sobre a moral sexual, mas também no que diz respeito à compreensão binária da antropologia.

“Permaneçamos unidos em assembleia. Este é o momento em que vale a pena”, exortou o presidente da Conferência Episcopal, o bispo de Limburg, Georg Bätzing, ao retomar os trabalhos, declarando-se “pessoalmente decepcionado” com o voto do coirmãos no episcopado. “Os bispos nos dizem para permanecermos na Igreja, mas, quando chega a hora, eles não estão conosco”, disse a Ir. Caterina Luitmann, delegada da Conferência dos Religiosos.

A Ir. Philippa Roth ecoou: “Temo que a divisão entre bispos e fiéis se alargue, e aqueles que votaram ‘não’ perderão autoridade e credibilidade, e muitos membros da nossa Igreja se afastarão ainda mais”.

Para o Pe. Christoph Uttenreuther, o fato positivo é que, mesmo assim, 60% dos bispos defendem a mudança. A pauta foi deixada de lado, e os trabalhos pararam para dar espaço ao debate.

No entanto, o controverso resultado favorável de um documento que divide a opinião pública católica parecia “à vista” para o Caminho Sinodal da Igreja na Alemanha, iniciado em 2019 pela Conferência Episcopal e pelo Comitê Central dos Católicos Alemães.

A imagem da linha de chegada havia sido usada pela presidente do Comitê Central, Irme Stetter-Karp, na concorrida coletiva de imprensa de abertura dos trabalhos. “Não há recordes a bater, mas devemos chegar até o fim”, continuou a presidente, que, em relação aos 14 documentos da ordem do dia a serem discutidos e votados (nove dos quais em segunda e última leitura), declarara: o trabalho realizado “abre o caminho para o futuro da Igreja Católica na Alemanha e, ao mesmo tempo, permite que permaneçamos intimamente ligados à Igreja universal”. O que os católicos na Alemanha estão fazendo é “assumir a responsabilidade pelo curso da Igreja, respeitando as responsabilidades da Igreja mundial”.

Na mesma linha, Dom Bätzing, presidente dos bispos alemães, em suas declarações pré-assembleia, havia falado de “textos importantes”. É grande a “vontade de mudança e de nova credibilidade” na Alemanha, mas também no mundo, como mostram as contribuições enviadas nas últimos semanas ao Sínodo mundial. Para Bätzing, a chaga dos abusos e as dramáticas estatísticas da Igreja “não podem nos permitir ficar parados”.

Até este sábado, deverão ser votados outros três documentos, chamados de “documentos-base”, sobre o papel da mulher na Igreja e sobre o sacerdócio, além de uma série de documentos pastorais.

 

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