Guerra malfadada

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10 Março 2022

 

"De repente fomos informados que / Uma bomba atômica caiu em nosso colo. / São os interesses disparados pelas armas / De líderes insanos que subjugam a vida aos interesses bélicos e mercadológicos" escreve Raphael Colvara Pinto, doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e vigário na Paróquia de Saint Charles, Arquidiocese de Boston, em poema enviado ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

 

Eis o poema.

 

Acordados em meio a sonho

Ou quem sabe um pesadelo.

Descobrimo-nos em meio a um labirinto ou em meio à guerra.

Onde tudo é estúpido e, ao mesmo tempo, surreal.

Estradas que corriam velozes por onde os pés não andam mais.

E quando fazem, fazem para chegar rápido ao outro lado da fronteira.

Ir, mas para onde?

Caminhos obliterados em meio ao sopro do vácuo.

Pontes destruídas que não ligam a lugar nenhum.

Muros e barricadas.

Cadáveres putrefatos,

Cemitério sem lápide.

Apenas chocalho dos rifles que quebram o silêncio da noite.

Sirenes estridentes, presságio que o pior está por vir.

Medo de uma guerra nuclear?

De repente fomos informados que

Uma bomba atômica caiu em nosso colo.

São os interesses disparados pelas armas

De líderes insanos que subjugam a vida aos interesses bélicos e mercadológicos,

Transformando soldados e civis em objetos anônimos,

Onde a tragédia transforma-se em espetáculo

E o orgulho e a vaidade, em prêmio.

Em um contexto diferente,

Chamaríamos isso de carnificina,

Porém, na guerra tudo fica chancelado pelo selo dos acordos internacionais.

Aqui, não há vencedores.

Não há bandido ou mocinho.

Apenas interesses.

A cada crepúsculo, uma histórica malfadada desenrola-se.

Foi, então, que percebemos

Que nunca ninguém nos ensinou Braile.

 

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