Papa Francisco e o Fiat 500

Papa Francisco em sua visita apostólica aos EUA, em 2015, optou por fazer todos seus percursos em um Fiat 500. Foto: Arquidiocese de Boston

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26 Outubro 2021

 

Pompas e circunstâncias e um novo modo de exercer o poder papal.

 

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 25-10-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

 

A cerimônia da Santa Sé para acolher chefes de estado e de governo para o Palácio Apostólico é um espetáculo à parte.

E a chegada do primeiro-ministro francês Jean Castex, em 18 de outubro, não era exceção.

As preparações foram finalizadas no Pátio de San Damaso, onde os guardas suíços já tinham vestido seus uniformes vermelho, amarelo e azul.

Os “Cavalheiros da Sua Santidade”, homens de idade respeitável que pertencem a proeminentes famílias italianas, estavam com seus casacos pretos parados em frente ao tapete vermelho.

Então, o monsenhor Leonardo Sapienza, prefeito da Casa Pontifícia, chegou.

Vestindo impecavelmente uma batina preta com a faixa vermelha, ele saudou todos que estavam presentes.

Todos estavam à espera do primeiro ministro descer do carro. O primeiro veículo teria uma pequena bandeira da França no capô.

Mas de repente um pequeno carro preto cruza pelo pátio, provocando olhares suspeitosos daqueles que ali estavam.

Quem se atreveu a perturbar o digno silêncio deste augusto encontro? E em um Fiat 500!

Aqueles que foram rápidos o suficiente para vislumbrar o automóvel em alta velocidade viram que o passageiro não era outro senão o Papa Francisco.

“Os perigos da transmissão ao vivo”, brincou um sorridente funcionário da Cúria Romana que estava no pátio.

O papa havia saído de sua residência em Santa Marta para o Palácio Apostólico apenas dez minutos antes da chegada de seu convidado de honra francês.

Foi mais um lembrete de que, desde a eleição de Francisco em 2013, o imponente palácio não é mais o centro do poder papal.

O papa jesuíta realmente faz a maior parte de seu trabalho onde mora - na residência Santa Marta, que João Paulo II construiu para abrigar os cardeais durante um conclave.

Quando o recém-eleito Francisco optou por ficar em Santa Marta, em vez de se mudar para o Palácio Apostólico, pegou quase todos de surpresa.

 

E aquele pequeno Fiat 500 cruzando o Pátio de San Damaso em alta velocidade? É apenas mais um sinal de que, nesse ponto, o papa não vai mudar.

 

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