Em sua defesa dos yanomami, Dom Mário Antônio recebe o apoio da Presidência da CNBB

Garimpo no rio Uraricoera em abril de 2021 (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

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10 Junho 2021

 

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta a Dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima, onde mostra seu apoio diante do seu posicionamento “em favor de uma parcela do povo de Deus que lhe foi confiado”.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

A carta, assinada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Dom Jaime Spengler e Dom Joel Portella Amado, faz referência à carta que Dom Mário escreveu no dia 2 de junho último, dirigida à Igreja e ao povo de Roraima, onde expressou “sua solidariedade ao povo Yanomami da região do rio Uraricoera, vitimado pelo garimpo ilegal e pela inércia de quem deveria exercer a vigilância sobre as terras que são da União e de usufruto destes povos”.

 

Dom Mário Antônio da Silva. (Foto: REPAM)

 

Diante do sofrimento do “coração solidário do pastor ao contemplar a dor presente em seu rebanho, atingindo pessoas e desrespeitando a casa comum”, a presidência da CNBB expressa “nossa fraterna expressão de unidade”, da parte daqueles com quem Dom Mário Antônio, “compartilha a missão na presidência da CNBB”.

Os assinantes da carta mostram o desejo “de que suas palavras, já escutadas pelo Deus da Vida, sejam ouvidas pelos corações que trabalham por um mundo de paz e respeito ao ser humano e à casa comum, particularmente por todos aqueles que têm responsabilidades na edificação da sociedade justa e solidária”.

P. 0207/21

 

Veja a íntegra da carta.

 

Brasília, 08 de junho de 2021

Exmo Sr.

Mário Antônio da Silva,
Bispo Diocesano de Roraima

 

Ref: Unidade na missão

 

Prezado D. Mário,
irmão e amigo,

 

Em 2 de junho último, o senhor se manifestou publicamente em favor de uma parcela do povo de Deus que lhe foi confiado. Seu coração de pastor o levou a expressar sua solidariedade ao povo Yanomami da região do rio Uraricoera, vitimado pelo garimpo ilegal e pela inércia de quem deveria exercer a vigilância sobre as terras que são da União e de usufruto destes povos.

Sabemos, caro irmão, o quanto sofre o coração solidário do pastor ao contemplar a dor presente em seu rebanho, atingindo pessoas e desrespeitando a casa comum. Como, pois, prezado irmão, pode o pastor se calar, se, diante de seus olhos, o que se vê é destruição e morte? Afinal, se nos calarmos, as pedras clamarão! (Lc 19,40)

Receba, pois, nossa fraterna expressão de unidade. Nós, seus irmãos bispos, com quem o senhor compartilha a missão na presidência da CNBB, manifestamos nossa união e nossa solidariedade, no desejo de que suas palavras, já escutadas pelo Deus da Vida, sejam ouvidas pelos corações que trabalham por um mundo de paz e respeito ao ser humano e à casa comum, particularmente por todos aqueles que têm responsabilidades na edificação da sociedade justa e solidária.

Como nosso abraço e nossas orações.

 

Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

 

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