Cardeal Marx. “Um gesto corajoso, mas com o Papa há plena sintonia”. Entrevista com Hans Zollner

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07 Junho 2021

 

“Foi um gesto a ser admirado, porque foi pessoal e difícil de levar a cumprimento. Foi um gesto exigente diante de questões delicadas e importantes, como a crise sistêmica, como a define o próprio cardeal, da Igreja em relação aos abusos sexuais cometidos por padres contra menores. O que o cardeal Marx diz a todos é que uma nova abordagem é necessária. A crise, se sistêmica, não pode ser resolvida avançando como sempre foi feito, ao contrário, é necessária uma mudança de ritmo”.

O homem de confiança do Papa sobre o tema dos abusos, o jesuíta alemão Hans Zollner, 54, sabe do que está falando quando se trata de refletir sobre a vulnerabilidade dos menores. Zollner, de fato, dirige o Centro para a Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana e é um dos maiores especialistas do mundo no campo da proteção e prevenção dos abusos sexuais.

A entrevista com Hans Zollner é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 05-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Padre, o gesto do Cardeal Marx foi um gesto corajoso?

Parece-me realmente que sim. Ele se afasta para não fugir de suas responsabilidades pessoais, bem como daquelas da Igreja alemã como um todo. Parece-me um novo passo o fato de reconhecer que uma crise sistêmica está em curso. E, juntos, portanto, pedir um passo diferente para que o problema seja resolvido de uma vez por todas.

 

É uma mensagem que Marx também envia a Francisco ou não?

Existe plena sintonia entre ele e o Papa Francisco. Marx é membro do Conselho de Cardeais, o C7, um homem de confiança do próprio pontífice. O que ele diz a todos é que o caminho que Francisco está trilhando está correto, mas deve ser percorrido com mais força. É o caminho que parte da cúpula sobre pedofilia que aconteceu no Vaticano em 2019 com os bispos de todo o mundo. Naquela ocasião, o Papa falou aos bispos sobre a necessidade de assumir responsabilidades. Marx assumiu tal responsabilidade ontem.

 

Por alguns anos, Marx liderou a conferência episcopal alemã. Ele quer falar em primeiro lugar aos bispos do seu país?

Principalmente a eles. O fato de ele ter sido presidente da Conferência Episcopal não é um fato secundário. A sua mensagem é uma mensagem para a Alemanha e para a Igreja local: o caminho é combater os abusos de forma responsável e sem hesitação.

 

Costuma se considerar que colocar mais mulheres nos postos de liderança da Igreja ajudaria na luta contra os abusos. O que pensa a respeito?

Em si, um genérico “mais mulheres” nos postos de comando não muda nada. Acredito que seja importante haver um equilíbrio. Certamente, porém, a decisão do Papa Francisco de colocar mulheres em postos de comando continua significativa e pode ajudar toda a Igreja a derrotar os abusos.

 

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