Considerado “caribe amazônico”, Alter do Chão (PA) pode virar savana, alerta estudo

Alter do Chão, no Oeste do estado do Pará, é considerado o “caribe amazônico”. | Foto: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Pio X e a “participação ativa”: a diferença sagrada entre celebrar e presidir. Artigo de Andrea Grillo

    LER MAIS
  • O intelectual catalão, que é o sociólogo de língua espanhola mais citado no mundo, defende a necessidade de uma maior espiritualidade em tempos de profunda crise

    “O mundo está em processo de autodestruição”. Entrevista com Manuel Castells

    LER MAIS
  • Trump usa a agressão contra a Venezuela para ameaçar os governos das Américas que não se submetem aos EUA

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

10 Outubro 2020

Possibilidade é cogitada por pesquisadores que estudam a região. Desmatamento e queimadas seriam as responsáveis.

A reportagem é de Catarina Barbosa, publicada por Brasil de Fato, 07-10-2020.

Alter do Chão, no Oeste do estado do Pará, é considerado o “caribe amazônico” e se tornou destino frequente de turistas em busca de suas praias de água doce às margens do Rio Tapajós. As belezas naturais que tornaram o local – que é vila do município de Santarém –conhecido, porém, estão ameaçadas pelo aumento de queimadas e do desmatamento na Amazônia que aceleram o processo de transformação da floresta amazônica em savana.

A esse processo, dá-se o nome de: savanização. De forma resumida é como se a diversidade de árvores fosse transformada em uma vegetação com espécies de pequeno e médio porte.

Um estudo realizado na região, acendeu o alerta em pesquisadores ao constatarem que uma floresta primária e densa – como é a floresta amazônica – pode ganhar aspectos parecidos com o de uma savana se for submetida repetidas vezes processos de devastação.

“Mesmo que você tenha uma floresta que esteja em uma área bem protegida, se essa área pegar fogo repetidamente por alguns anos, é possível que o processo de savanização se intensifique nesse local”, alerta o pesquisador José Mauro Moura professor da Universidade do Oeste do Pará (Ufopa), um dos pesquisadores que atuaram nesse estudo.

Ele explica que a vegetação, embora seja relativamente aberta e com pouca cobertura vegetal sobre o solo, funciona como um filtro para as águas da chuva que irão abastecer os lagos e igarapés.

“Logo, se você elimina essa vegetação, queima, o solo vai ficar desprotegido e muito material pode ser carregado para a água dos rios. Então, aquela paisagem bonita que a gente conhece com praias e com lago pode ter uma mudança muito grande em função da cor da água”, diz ele.

A pesquisa foi conduzida pela universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação Graduação em Recursos Naturais da Amazônia da Universidade Federal do Oeste do Pará (PPGRNA-Ufopa), além da equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Universidade de São Paulo (USP) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O pesquisador destaca ainda que a Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão é uma área em que há ocorrência de dois tipos de processo de savanização: as mais fechadas com composição florística mais parecida com a floresta e as com uma composição florística mais aberta, que se assemelham a áreas do centro-oeste do Brasil e da África.

Na avaliação de Caetano Scannavino, coordenador da ONG Projeto Saúde e Alegria a degradação da floresta e o processo de savanização deve nos levar à reflexão de que tipo de desenvolvimento temos hoje na Amazônia.

“Em termos de Amazônia, a gente desmatou o equivalente a duas Alemanhas de floresta para colocar o quê no lugar? 63% dessa área devastada é ocupada por pastagens de baixíssima produtividade, menos de um animal por hectare e os outros 23% são áreas abandonadas. Então, a gente está desmatando para produzir mal e para ficar mais pobre”, alerta.

 

 

Leia mais