O Papa, durante 3 horas, em diálogo com a Conferência Episcopal Italiana. Os bispos não concordam sobre a fusão das dioceses

Foto: Vatican News

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23 Mai 2018

"Falem abertamente, aqui não é pecado criticar o Papa, pode ser feito... Digam a inspiração que trazem em seus corações." As críticas foram poucas, mas o convite do Papa em sua intervenção pública foi amplamente acolhido pelos bispos da CEI que dialogaram por cerca de três horas com o Pontífice "a portas fechadas" na Aula Nuova do Sínodo, onde, durante a tarde, foi realizada a 71ª Assembleia geral.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por La Stampa Vatican Insider, 21-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Foram cerca de vinte, conforme foi relatado ao Vatican Insider, as perguntas dirigidas a Bergoglio pelos bispos italianos para aprofundar temas já enunciados, ou melhor, as três “preocupações” expressas pelo Papa em relação à Igreja italiana.

Primeiro, em relação à redução das vocações sobre o qual o Papa reiterou sua "forte’ preocupação, contudo convidando a cuidar mais da qualidade do que da quantidade dos futuros sacerdotes; depois, o tema da fusão e da redução das dioceses. A maioria dos bispos não se mostrou de acordo sobre a questão.

"Vamos avaliar se é o momento certo”, disseram ao papa alguns membros da CEI, enquanto outros afirmaram diretamente que "não é necessário" realizar agora esse passo, que correria o risco de minar, entre outras coisas, "a proximidade dos pastores". "Se uma diocese se torna maior, há um risco de que alguns bispos acabem ficando muito distantes das pessoas e das situações", observou mais de um prelado. Além disso, "devemos pensar à identidade cultural de cada região."

Entre questões "técnicas" e pedidos mais específicos (a alguns dos quais o Papa respondeu com ironia dizendo não entender nada), também surgiu a fatídica pergunta que possivelmente mais de uma pessoa queria fazer: "Quem é o vilão da reforma?". Uma maneira para dizer: quem se opõe hoje a essa fusão a respeito da qual já há cinco anos Francisco vem exortando a uma reflexão aprofundada e soluções práticas? Quem apresentou a questão ao Papa foi um jovem bispo auxiliar.

Por parte de Francisco, no entanto, nenhuma resposta.

Outros prelados salientaram que, em vez da fusão das dioceses, seria importante estudar a unificação dos diferentes serviços pastorais a nível regional: jovens, trabalho, escola, comunicação e assim por diante.

Nessa linha, o Papa pediu um esforço conjunto para a evangelização, considerando a "grande demanda" que há hoje no mundo. Em especial, Francisco pediu uma "evangelização mais missionária" e menos "clerical" como aquela que frequentemente se registra nas várias dioceses, em que ficam mais envolvidos os leigos e as famílias ("que sejam eles os protagonistas!"), inspirando-se em alguns movimentos eclesiais que "são bons", embora, por vezes, "exagerem um pouco''.

Com o Papa também foram abordados outros assuntos "quentes", como os escândalos nas dioceses, especialmente os financeiros. "Questões reservadas", dizem os bispos, relatando que o Papa pediu-lhes para "ter cuidado" porque "não é correto deturpar o rosto da Igreja" e "comprometer" por certas fraquezas "o trabalho que diariamente é feito nas dioceses" com dedicação e honestidade.

Seguiu-se outro convite para a transparência das finanças. "Não são os meios que ajudam a conversão", afirmou Bergoglio, repetindo o convite para "seguir cada vez mais em direção à pobreza" que, como dizia em seu discurso, "é mãe e é muro" da vida apostólica.

Uma menção também ao tema da máfia: "É uma outra Igreja" aquela, frisou o Pontífice, é nesse sentido que os mafiosos são excomungados: "Estão fora da comunhão eclesial". Como nos últimos dias, durante uma homilia em Santa Marta, o Papa Francisco depois pediu aos bispos para "zelar" pelos fiéis.

"Eu gosto da figura do pastor que ‘zela’ o rebanho", disse ele; o bispo que não só organiza, conduz e orienta, mas deixa-se ‘envolver’ na vida e nas situações concretas das pessoas, especialmente aquelas feridas. Para ser bons pastores, explicou o Papa, o primeiro passo é "dedicar tempo à oração". "Perguntemo-nos, quanto tempo eu dedico à oração?".

"O Papa insiste sobre a espiritualidade, não dá respostas técnicas", comentam os bispos, um pouco apressados por causa da chuva e do medo da pressão dos repórteres. "Eu peço, orem!", foi o último convite que dirigiu a eles o Pontífice. E ele brincou: "Gostaria de falar com você por mais algumas horas, mas vejo que têm alguns bispos que acenam com a cabeça ... não por consenso, mas porque sua cabeça balança de sono."

O papa levou quase meia hora para cumprimentar um por um os membros da Conferência Episcopal Italiana.Com alguns trocou algumas palavras ou uma piada, abençoou alguns objetos; depois, com guarda-chuva e pasta de anotações sob o braço, por volta das 19:20 despediu-se do cardeal presidente Gualtiero Bassetti e dos últimos prelados que haviam ficado no átrio da Aula Paulo VI, sorriu para os jornalistas, e se encaminhou, sozinho, em direção a Santa Marta.

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