Revisão de gastos na Igreja italiana: 36 dioceses serão abolidas

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27 Janeiro 2015

O projeto de Bergoglio é de fazer um corte nas sedes com menos de 90 mil habitantes, o que irá resultar na diminuição de cerca de 40 bispos italianos e em outras tantas dores de cabeça do episcopado.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 23-01-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na Itália, ela foi muito debatida, mas a abolição das províncias só foi feita pela metade. Do Vaticano, ao invés, está chegando a "spending review" do Papa Francisco para as "províncias" da Igreja italiana.

Sobre a mesa de Bergoglio, de fato, está o projeto de redução das 222 dioceses da Conferência Episcopal Italiana (CEI) que prevê a abolição das 36 sedes com menos de 90 mil habitantes. Um corte que também terá como consequência a redução de cerca de 40 bispos italianos que, assim, cairão dos atuais 236 para 200.

Tudo isso permitirá que o pontífice e os seus colaboradores mais próximos qualifiquem ainda mais o processo de escolha dos prelados para se confiar a liderança de uma diocese, na tentativa de evitar, o máximo possível, os escândalos sexuais e financeiros, em primeiro lugar, para depois correr para os reparos, como ocorreu em Albenga, com a nomeação de um coadjutor, ou seja, de um bispo auxiliar com direito de sucessão.

Mas o projeto vai criar muitas dores de cabeça contra o papa no episcopado italiano e também entre aqueles sacerdotes "carreiristas", repetidamente atingidos por Bergoglio, que, deste modo, terão menos chances de endossar o solidéu roxo.

Também serão abolidas e fundidas com as dioceses vizinhas as sedes históricas e timbradas, como Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino, com os seus 88 mil habitantes, as suas 62 paróquias e os seus 62 padres, sem contar os 144 sacerdotes religiosos. Mas também San Marino-Montefeltro, com pouco mais de 61 mil habitantes, 81 paróquias e 50 padres. E uma sede surpreendente como Ischia, com 48 mil habitantes, 25 paróquias e 33 sacerdotes.

Quem desvendou o projeto, que até então era "sub secreto pontificio", foi o próprio Francisco, dois meses depois da eleição, no dia 23 de maio de 2013, encontrando-se pela primeira vez, na Basílica Vaticana, com todo o episcopado italiano.

Naquela ocasião, falando de improviso, Bergoglio tinha confiado à CEI "o diálogo com as instituições culturais, sociais, políticas", mas também "o trabalho de tornar fortes as conferências episcopais regionais, para que sejam a voz de todas as regiões, tão diferentes".

E aqui o papa tinha revelado: "Eu sei que há uma comissão para reduzir um pouco o número das dioceses tão pesadas. Não é fácil, mas há uma comissão para isso. Sigam em frente com fraternidade".

Mas agora que o trabalho chegou ao fim e que cabe apenas a Francisco decidir dar o OK definitivo, as descontentamentos aumentam. Enquanto isso, Bergoglio teria pedido ao secretário-geral da CEI, Dom Nunzio Galantino, que renuncie à liderança da Igreja de Cassano allo Jonio, mas que não será afetada pelo corte, com os seus 108 mil habitantes, para se dedicar completamente à CEI, cujos escritórios estão em Roma.

No projeto de "spending review" da CEI não será cortado, porém, o Ordinariato Militar, liderado pelo arcebispo calabrês Santo Marcianò, apesar de ter sido feita a proposta, por parte de vários prelados, de abolir essa diocese atípica e de confiar aos bispos individuais o cuidado pastoral dos militares presentes nas porções de território confiadas à sua jurisdição.

Enquanto para a CEI se anunciam, portanto, tempos difíceis de reestruturação, entre os dias 26 e 28 de janeiro próximos, irá ocorrer em Roma a sessão de inverno do Conselho Episcopal Permanente da Igreja Italiana, o primeiro de 2015, que terá na pauta, dentre outras coisas, a escolha do tema principal da Assembleia Geral, que será realizada, como sempre, no Vaticano, entre os dias 18 e 21 de maio próximos.

Mas os 31 prelados na cúpula da CEI terão que examinar especialmente os novos parâmetros para a construção de lugares de culto e as indicações para a elaboração dos relatórios quinquenais sobre a atividade das Comissões Episcopais e sobre a renovação dos seus presidentes.

Entre estes, destaca-se em particular o novo cardeal de Agrigento, Francesco Montenegro, que dirige o escritório da Igreja italiana que se ocupa dos imigrantes e que acolheu o Papa Francisco na sua primeira viagem para a península, em Lampedusa. Muitos já o veem em Roma como chefe da Congregação para a Caridade, que Bergoglio se prepara para lançar no consistório que irá ocorrer com todos os purpurados do mundo nos dias 12 e 13 de fevereiro.