Revolução 4.0 e a necessidade de reinvenção do mundo do trabalho na América Latina

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Por: Lara Ely | 16 Setembro 2017

Entre os países da América Latina e Caribe, a revolução 4.0 traz mudanças drásticas no mercado de trabalho: se por um lado a redução dos postos de trabalho é uma realidade consolidada, o novo cenário trazido pelas tecnologias digitais desafia profissionais de diversos setores a inovarem de forma criativa para não sucumbir às máquinas.

Em 2016, o aumento de desemprego urbano foi o maior em duas décadas, e a previsão é de que deve aumentar 9,2% em 2017. Foi o que apontou estudo realizado pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe – Cepal e pela Organização Internacional do Trabalho – OIT.

"Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", diz Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial.

A previsão do Fórum Econômico Mundial é que, nessa nova era, uma quebra do modelo de cadeias produtivas e interações comerciais em que consumidores atuam como produtores resultará em um montante de 7 milhões de desempregados. Faz parte disso a mobilidade e conectividade de pessoas, na qual as diferenças entre homens e máquinas se dissolvem e cujo valor central é a informação.

“A cada nova invenção, diversas vagas são perdidas, mas diversas outras são inventadas para dar conta do trabalho. Cito como exemplo a lavoura: se alguém inventa uma máquina que substitui centenas de trabalhadores rurais, por outro lado, a invenção faz surgir a necessidade de contratação de outras centenas para o desenvolvimento tecnológico, produção, comercialização e manutenção da nova tecnologia”, aponta Iuri Lammel Marques, professor de jornalismo da Unifra.

Segundo Marques, a automatização tecnológica trazida pela revolução 4.0 não apenas diminui a quantidade de vagas, mas muda o perfil delas: de trabalhos manuais e repetitivos para trabalhos intelectuais, que exijam reflexão, pesquisa, poder de comunicação e de negociação.

Os indicadores laborais na América Latina e no Caribe mostram que, diante do quadro de desemprego, prevalente sobretudo entre as mulheres, cresce o número de trabalhadores informais ou autônomos – e que eles têm menor renda.

“Ainda há grandes desigualdades de gênero no acesso a oportunidades e direitos entre homens e mulheres. Elas têm sua base em um sistema social que reproduz estereótipos e conserva uma divisão sexual do trabalho que limita a inserção laboral”, explica Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal.

No livro Robotlucion – O futuro do trabalho na integração 4.0 da América Latina, o gerente do setor social do Banco Interamericano de Desenvolvimento Marcelo Cabrol, apresenta uma visão otimista do cenário: ele acredita que estas transformações vêm acompanhadas de enormes oportunidades em setores como as energias renováveis ou a biotecnologia, onde é possível reinventar novas formas de trabalho.

As principais ferramentas ou conceitos para desenvolver a carreira e que serão decisivas para modificar as relações de trabalho passam por conceitos como rastreabilidade, visão artificial, cloud computing, cyber security, big data e data analytics, simulação, realidade aumentada, IOT, GPS, manufatura aditiva, robô colaborativo, manutenção preditivia.

O que alguns especialistas apresentados pelo IHU apontam como solução para a eminente grande crise mundial do desemprego é a distribuição de uma renda básica universal para todos os cidadãos até a taxação sobre robôs, para reverter o dinheiro na manutenção das vidas humanas afetadas pelas máquinas.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Accenture estima que a participação da economia digital no PIB do Brasil saltará dos atuais 21,3% para 24,3% em 2020 e valerá US$ 446 bilhões (R$ 1,83 trilhão). Como então o Brasil e demais países da América Latina poderiam se preparar para esse momento?

A implementação de políticas de fortes incentivos que nivelem por cima, não apenas na área de formação e capacitação de trabalhadores para o uso de novas tecnologias, mas priorizando também investimentos em pesquisa e desenvolvimento para que o país não se torne um mero consumidor de tecnologias é um dos caminhos apontados por Vanessa Boana Fuchs, pesquisadora do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de St. Gallen, na Suíça, em reportagem ao site da BBC.

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