Para Hezbollah, bispos de Alepo sequestrados não estão nas mãos do Estado Islâmico

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30 Agosto 2017

Os dois bispos de Alepo sequestrados há mais de quatro anos não estão nas mãos do chamado Estado Islâmico. Foi o que afirmou, ontem, em um discurso televisivo, o líder do Hezbollah, apontando que se falou sobre o seu destino durante as negociações que levaram ao cessar-fogo nas montanhas de Qalamoun, a região montanhosa que se localiza na fronteira entre Síria e Líbano. Precisamente, as notícias sobre uma série de sequestros foram a contrapartida que o movimento xiita libanês pediu aos emissários do autodenominado Califado, em troca da permissão para que centenas de milicianos abandonassem a região e chegassem, com suas famílias e escoltados pelo exército sírio, à cidade de Deir ez-Zor, um dos últimos bastiões nas mãos dos homens com bandeiras pretas.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicada por Vatican Insider, 29-08-2017. A tradução é do Cepat.

A atenção do Líbano se dirigiu principalmente para a situação de um grupo de soldados sequestrados na região de Arsal, em agosto de 2014, quando as forças jihadistas assumiram o controle da região. Em dezembro de 2015, 16 deles foram libertados, em uma troca de prisioneiros entre o governo de Beirut e a Frente al-Nusra. Agora, o Estado Islâmico indicou ao Hezbollah os lugares nos quais outros oito soldados do grupo foram sepultados, razão pela qual estão sendo realizadas as investigações para verificar a identidade dos restos mortais encontrados. Nasralá revelou que, durante a negociação, também pediram notícias sobre os dois bispos de Alepo (o sírio-ortodoxo Gregorios Yohanna Ibrahim e o greco-ortodoxo Boulos Yazigi, sequestrados no dia 22 de abril de 2013) e sobre o operador de câmera libanês Samir Kassab, sequestrado em outubro do mesmo ano. “Nos dois casos – indicou o líder do Hezbollah – o Estado Islâmico nos respondeu que não sabia de nada”.

Efetivamente, os dois religiosos foram sequestrados muito mais ao norte, na região que fica localizada entre Alepo e a fronteira com a Turquia, provavelmente enquanto se dirigiam para negociar a libertação de outras pessoas sequestradas. Portanto, é verossímil que se tenham ocupado de seu sequestro as milícias próximas a Frente al-Nusra, com uma presença ainda forte na região de Idlib, Síria. O fato de Nasralá desejar se referir explicitamente ao caso dos bispos de Alepo tem um significado político diante dos desequilíbrios internos em um país como o Líbano. O contexto foi o de um discurso no qual o líder do Hezbollah reivindicou uma de suas vitórias sobre o Estado Islâmico como uma “segunda libertação” do país, obtida precisamente por seu movimento e não pelo exército regular.

No entanto, para além deste aspecto, com a queda do Estado Islâmico na Síria, volta a adquirir destaque o destino dos reféns cujas pegadas se perderam ao longo de todos estes anos. Para o caso dos dois bispos, a chave para saber do paradeiro deles pode estar na Turquia. Durante os primeiros meses, após seu sequestro, circularam notícias de testemunhas que teriam visto os bispos para além da fronteira, em território turco. Falso ou verdadeiro, o certo é que é improvável que as milícias apoiadas por Ancara, no norte da Síria, não saibam de nada sobre o destino dos dois religiosos.

Por outro lado, é diferente o caso do padre Paolo Dall’Oglio, o jesuíta romano que desapareceu na cidade de Raqqa, no dia 29 de julho do mesmo ano de 2013. Desde o princípio, seu sequestro foi atribuído por fontes locais às milícias próximas a Baghdadi. E, agora, quando em Raqqa o Estado Islâmico parecer ter os dias contados (com o avanço das milícias curdas, apoiadas pela aviação estadunidense), pode se aproximar o momento de se chegar à verdade sobre o destino do padre Dall’Oglio.

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