Dall'Oglio: a comunidade de Mar Musa ainda espera

Padre Paolo | Foto: YouTube

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28 Julho 2017

Ainda o buscam com esperança, os seus amigos da comunidade religiosa no mosteiro de Mar Musa, fundada pelo próprio jesuíta em 1991. Depois do sequestro do padre Paolo, reataram apenas quatro ou cinco, entre monges e monjas, todos sírios, na comunidade liderada pela irmã Houda, onde continuam fazendo um valioso trabalho de assistência aos refugiados com grandes dificuldades. Resistem com coragem e desmentem categoricamente os rumores segundo os quais teriam a intenção de abandonar tudo e ir para a Turquia: “O nosso lugar é aqui”.

A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada por La Repubblica, 27-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esse centro espiritual ecumênico misto, dedicado a promover e a encorajar o diálogo entre cristianismo e Islã, é um mosteiro em risco hoje. No entanto, o Pe. Dall’Oglio – sobre cujos possíveis rastros a Santa Sé, por iniciativa do Papa Francisco, pôs há muito tempo a Gendarmeria vaticana – tinha identificado e escolhido esse ambiente rico em mística, incrustado entre as montanhas a 80 quilômetros de Damasco como o seu local de escolha.

“Eu gostei dele de imediato, assim que o encontrei em 1982 – disse ele em uma entrevista em vídeo – quando eu era estudante de árabe e de estudos islâmicos. E, a partir de 1991, existe uma comunidade monástica de irmãos e irmãs, dedicados à vida contemplativa, ao trabalho manual e à hospitalidade abraâmica, no desejo de construir a harmonia islamo-cristã”.

Ele o tinha resgatado das ruínas de um mosteiro do século XI. O jovem jesuíta decidiu iniciar a sua reconstrução para cultivar ali, em um lugar rico em encruzilhadas espirituais, o diálogo inter-religioso. Ao longo dos anos, a comunidade continuou a sua missão tentando construir “pontes de amizade e de harmonia com o Islã”.

Em 2010, a construção de um novo mosteiro no norte do Iraque, em Suleimaniah. Grande ativismo, talvez excessivo para aquelas latitudes. Os amigos de Dall’Oglio lembram que foi justamente isso que o tornou impopular ao regime de Assad. Em 2012, durante algum tempo, o padre se refugiou no Curdistão iraquiano. Mas a sua determinação de permanecer na Síria revelou-se arriscada demais.

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