''Paulo VI tinha duas cartas de renúncia prontas'', afirma cardeal

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28 Agosto 2017

Paulo VI tinha prontas, na gaveta, duas cartas de renúncia. Na época, o Código de Direito Canônico não permitia que o papa renunciasse sem a aceitação do Colégio Cardinalício, e eis a segunda carta que convida o secretário de Estado a convencer os cardeais a aceitar a sua renúncia.

A reportagem é publicada por Bergamo News, 25-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No jornal Araberara dessa sexta-feira, 25, foi publicada uma longa entrevista do diretor da publicação, Piero Bonicelli, com o cardeal Giovanni Battista Re, gravada nos últimos dias na sua casa de Borno.

“Eu sou cardeal porque a minha turma era muito numerosa.” Assim começa um longo relato que, partindo de Borno, passando por Bréscia, chega ao Vaticano, onde o cardeal viveu desde quando era estudante e depois jovem padre.

Os bastidores vaticanos, os “seus” seis papas (para cada um, uma análise e uma definição), o Concílio e João XXIII, Paulo VI e a nomeação, depois das experiências “juvenis” nas nunciaturas do Panamá e de Teerã nos tempos do xá, a secretário do secretário de Estado, o arcebispo Giovanni Benelli, depois cardeal e, no conclave, por muito tempo, em disputa acirrada com o cardeal Siri para eleição a papa depois da morte de Paulo VI, à qual se seguiu a eleição do Papa Luciani e, depois, do Papa Wojtyla.

(“Mas ele me nomeou não porque eu era de Bréscia. Ele não me conhecia, mesmo que a família Montini vinha para Borno de férias.”)

E, sobre Paulo VI, ele revela um pano de fundo sem precedentes: ele tinha, na gaveta, prontas, duas cartas de renúncia. Na época, o Código de Direito Canônico não permitia que o papa renunciasse sem a aceitação do Colégio Cardinalício, e eis a segunda carta que convida o secretário de Estado a convencer os cardeais a aceitar a sua renúncia. “O Papa João Paulo II mostrou-as para mim.”

Ele fala da morte de João Paulo I (“ele queria me encontrar, me disse que considerava o papado como um peso grande demais”).

Mas o cardeal Re foi o braço direito de João Paulo II. Era Re quem controlava os textos dos discursos do papa, cuidando para que o italiano estivesse correto, porque os discursos eram escritos em polonês.

E o papa o honrou com uma visita a Borno. Ele aterrissou com o helicóptero na pracinha da “casa dos avós”, onde o cardeal Re, com o irmão e a irmã, está agora de férias, no planalto de Salven.

Ele fala de Bréscia e de Bérgamo: “Bérgamo deu à Bréscia dois grandes bispos, Morstabilini e Foresti. Bréscia deu a Bérgamo o atual bispo Beschi, que foi meu coroinha, homem de grande humanidade”.

Sobre o atentado ao Papa João Paulo II e sobre as revelações de Ali Agca, as perguntas foram feitas, mas, depois, o cardeal preferiu que as suas respostas fossem confidenciais.

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