19 Março 2026
Segundo relatos da mídia iraniana, Israel, juntamente com os Estados Unidos, atacou refinarias de gás iranianas na Zona Econômica Especial de Energia de South Pars, em Asalouye, um campo de gás compartilhado com o Catar.
A reportagem é publicada por El Diario, 18-03-2026.
Israel e os Estados Unidos atacaram refinarias de gás iranianas na quarta-feira na Zona Econômica Especial de South Pars, em Asalouye, na costa sul do Irã, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim. South Pars é o maior campo de gás do mundo, compartilhado com o Catar, e responde por uma parcela significativa das exportações de gás natural do Irã.
O projétil atingiu parte da instalação de gás, após o que equipes de resgate e bombeiros começaram a combater o incêndio, de acordo com um funcionário de segurança em Bushehr, cidade onde a refinaria está localizada. O nome do funcionário não foi divulgado pela agência. Ele pediu aos moradores que se mantivessem afastados da área e mantivessem a calma.
Fontes israelenses disseram ao Axios que o ataque foi coordenado com o governo Trump e teve sua aprovação.
O ataque enfureceu o Catar, que apontou o dedo para Israel e o classificou como uma ação “perigosa e irresponsável”. “Os ataques israelenses a instalações ligadas ao campo de South Pars, no Irã, uma extensão do campo de North Pars, no Catar, constituem uma ação perigosa e irresponsável em meio à atual escalada militar na região”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, em comunicado. Na declaração, ele pediu a todas as partes que ajam “com moderação” e respeitem o direito internacional, e as instou a trabalhar para reduzir as tensões “de forma a preservar a segurança e a estabilidade da região”. “Atacar infraestrutura energética constitui uma ameaça à segurança energética global”, concluiu.
The Israeli targeting of facilities linked to Iran’s South Pars field, an extension of Qatar’s North Field, is a dangerous & irresponsible step amid the current military escalation in the region.
— د. ماجد محمد الأنصاري Dr. Majed Al Ansari (@majedalansari) March 18, 2026
Targeting energy infrastructure constitutes a threat to global energy security, as…
As Forças Armadas iranianas condenaram o ataque a refinarias de gás no sul do Irã, que atribuem aos Estados Unidos e a Israel, como um crime de guerra e alertaram que não ficará impune. Ameaçaram também atacar infraestruturas inimigas anteriormente consideradas seguras. A informação foi divulgada pela agência de notícias oficial Fars, citando fontes militares iranianas.
A mesma fonte acrescenta que, com esses ataques, “o pêndulo da guerra” irá oscilar, “passando de batalhas limitadas para uma guerra econômica em larga escala”.
“A partir desta noite, as outras linhas vermelhas mudaram. Se o inimigo pensou que com esses ataques poderia aumentar a pressão sobre o Irã para que este cedesse, enganou-se fatalmente em seus cálculos, porque essa ação deu ao Irã uma vantagem crucial: a reciprocidade”, alerta ele.
Leia mais
- “Se a guerra no Irã durar um mês, 40% do petróleo exportável deixará de estar disponível”. Entrevista com Antonio Turiel
- Não é só o petróleo: por que a guerra no Irã afetará a alimentação. Artigo de Alberto Garzón Espinosa
- Estreito de Ormuz: a segurança alimentar dos países do Golfo está em risco imediato, mas uma escassez mais ampla pode elevar os preços ao consumidor em todo o mundo. Artigo de Gokcay Balci e Ebru Surucu-Balci
- Mercado de fertilizantes é afetado por guerra no Oriente Médio
- Crise no Estreito de Ormuz ameaça oferta global de alumínio
- O bloqueio da rota petrolífera no Estreito de Ormuz: um pesadelo para a economia. Artigo de Filippo Santelli
- EUA e Israel intensificam os ataques contra o Irã, enquanto Trump promete escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz para evitar uma crise energética
- Não há pretexto ou plano para a guerra de EUA-Israel contra o Irã. Artigo de Arron Reza Merat
- Contra a guerra injusta e injustificada com o Irã. Editorial da revista jesuíta America
- Os resultados da guerra com o Irã "podem ser piores" do que os do Iraque, afirma Mary Ellen O'Connell, professora da Faculdade de Direito de Notre Dame - EUA