“A China dissuadiu Putin de usar armas nucleares”, afirma Anthony Blinken

Vladimir Putin e Xi Jinping em passeio de barco, em São Petersburgo, Rússia. Foto: Xinhua

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06 Janeiro 2025

O secretário de Estado norte-americano revelou ao Financial Times que a administração Biden temia que a Rússia pudesse realmente usar a bomba atómica: “Mesmo que a possibilidade de isso acontecer fosse de 5-15%, nunca haveria um tema mais sério e preocupante”.

A reportagem é de Antonello Guerrera, publicada por La Repubblica, 04-01-2025.

“Temos indícios de que a China dissuadiu Putin de usar armas nucleares após a invasão da Ucrânia: 'Não faça isso'”. O secretário de Estado cessante dos EUA, Anthony Blinken, falou em entrevista ao Financial Times. Blinken explica como a administração Biden, da qual fez parte durante quatro anos, a certa altura realmente temeu que a Rússia recorresse à bomba atômica: “Mesmo que a possibilidade de isso acontecer fosse de 5-15%, nunca haveria mais assunto sério e preocupante." E, portanto, Pequim teria agido para convencer o seu novo aliado Putin a não tomar tal medida: “O mesmo poderia ter acontecido após o anúncio da Rússia da sua intenção de usar um dispositivo nuclear no espaço”.

Segundo o secretário de Estado dos EUA, porém, a China sempre jogou “em dois níveis”. E não interrompeu o fornecimento de materiais a Moscou que também podem ser utilizados para armamento, apesar das sanções de Washington. Em todo o caso, Blinken faz questão de sublinhar, na Ucrânia Putin “sofreu uma derrota estratégica, também porque a OTAN se fortaleceu e houve uma solidariedade extraordinária dos aliados para com Kiev”. Mas Biden não esperou muito, e várias vezes, antes de entregar as suas armas aos ucranianos? Não, responde Blinken, “houve vários fatores, inclusive operacionais” que teriam retardado a entrega de armamentos.

Mas o chefe da diplomacia americana também aborda outros temas. “A América está mais forte agora. Quando esta administração assumiu o poder, herdamos um país com a pior crise econômica desde a Grande Depressão e a pior crise de saúde num século. Tivemos muitas divisões internas, ameaças à nossa democracia, relações muito frágeis com os nossos aliados e parceiros. Agora isso não é mais o caso."

Depois de uma recente visita ao Oriente Médio, Blinken explica que uma solução para Gaza ainda é complexa e assegura também que “um roteiro para a Síria é possível mas, depois da ditadura brutal de Assad, devemos ter cuidado, é fácil ir de um ditador para outro. Em qualquer caso, o Irã não está hoje numa posição em que possa dar-se ao luxo de travar uma guerra contra outro país. E isto também tem consequências positivas para a Síria." Durante a catastrófica retirada americana do Afeganistão em 2001, não houve remorso: “As mortes foram notícias terríveis, mas não podíamos ficar presos ali”.

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