O que Kamala tem a ver comigo? Artigo de Luisa Mattos

Foto: Wikimedia Commons

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Julho 2024

"O que Kamala tem a ver comigo? Tudo! Mesmo que você não tenha poder de voto, e ainda que não nos restem ilusões sobre a atuação de seu partido, o futuro de Kamala é também o seu, o meu, o de nossos filhos, o de nosso planeta", escreve, Luisa Mattos, produtora de conteúdo, em artigo publicado por Alter Conteúdo.

Eis o artigo. 

Há quatro anos, testemunhamos a disputa entre Donald Trump e Joe Biden pela presidência dos Estados Unidos. Passada a euforia de muitos de nós após a vitória de Biden – ou melhor, após a derrota de Trump –, o mandatário eleito esteve longe da promoção de uma política de paz e cooperação mundial.

O governo Biden está no epicentro dos maiores conflitos que tomaram conta dos noticiários nos últimos anos: as guerras na Ucrânia e em Gaza. Biden é o Tio Sam em sua vestimenta clássica, a do homem branco opressor de civilizações politicamente instáveis; mas em 2020, utilizou-se das cores do arco-íris e das pautas raciais para ser mais palatável diante dos tantos que não toleram mais tipos como ele. Mas seu governo não conseguiu sustentar esse disfarce e não é à toa que, este ano, Biden acaba de ser jogado para escanteio. Em seu lugar, a que tudo indica, virá sua vice: Kamala Harris, uma mulher negra.

Longe de querer criar grandes expectativas em torno do perfil de Kamala, pois é provável que os Estados Unidos continuem exatamente onde estão. O problema é que sempre pode piorar! Principalmente ao olharmos sob o viés das políticas de sustentabilidade e proteção ambiental. Aí é que Kamala tem mais a ver conosco.

Enquanto potências como os Estados Unidos poluem em níveis alarmantes, as maiores vítimas da crise climática não estão por lá: estão por aqui, estão na África, estão, enfim, no sul global. As previsões para as próximas décadas já são catastróficas se continuarmos como estamos, mas podemos acelerar a chegada dessa hecatombe caso os norte-americanos reelejam Donald Trump.

Em um breve comparativo, o governo de Joe Biden promulgou a Lei de Redução da Inflação em 2022, que tem como meta a injeção de mais de U$300 bilhões em energias renováveis, baterias e carros elétricos em dez anos, numa tentativa de diminuir o uso de combustíveis fósseis. Já o Partido Republicano, de Trump, na convenção realizada na última semana, promete retroceder nessa transição energética e abolir a legislação vigente – entre outros horrores. Parece que além de taparem as orelhas em homenagem ao candidato, também estão tapando os olhos diante do abismo.

Kamala discursa em fóruns globais sobre a urgência das pautas climáticas, costura parcerias dentro e fora da América e se envolve em questões políticas e econômicas em prol de uma economia mais verde; enquanto isso, Trump retirou os Estados Unidos do acordo de Paris, nega sistematicamente a situação emergencial em que vivemos – sobretudo o impacto de seu país nos desastres ambientais alheios –, além de enganar eleitores com a invenção e disseminação das mais absurdas teorias.

Então, voltando à pergunta inicial: o que Kamala tem a ver comigo? Tudo! Mesmo que você não tenha poder de voto, e ainda que não nos restem ilusões sobre a atuação de seu partido, o futuro de Kamala é também o seu, o meu, o de nossos filhos, o de nosso planeta. E, já que só nos restam duas opções, fica a máxima: ruim com ela, pior sem ela.

Leia mais