Exploração de petróleo na Margem Equatorial anularia ganhos climáticos de zerar o desmatamento na Amazônia

Foto: Rawpixel

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05 Dezembro 2023

Brasil troca seis por meia dúzia em emissões de gases estufa se insistir em retirar combustível na foz do Amazonas e outras bacias da região.

A informação é publicada por ClimaInfo, 04-12-2023. 

Enquanto o presidente Lula tentava minimizar o mal-estar provocado, em plena COP28, pelo anúncio de adesão do Brasil à OPEP+, ficamos sabendo que a insistência em explorar petróleo na foz do Amazonas e outras bacias da Margem Equatorial anulará os ganhos pelo desmatamento zero na Amazônia.

A pedido da Agência Pública, o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, trabalhou com projeções do impacto da produção de 10 e 30 bilhões de barris de petróleo na Margem Equatorial. Segundo Felipe Barcellos, do Instituto de Energia e Meio Ambiente, se todo esse petróleo for queimado, emitiria entre 4 e 13 bilhões de toneladas de CO2. Estes números são semelhantes ao que Estados Unidos (5,3 bilhões) e China (12,3 bilhões de toneladas) emitiram em 2020.

A meta climática do Brasil prevê que até 2025 as emissões anuais serão da ordem de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (GtCo2e), e até 2030 devem cair para cerca de 1,21 de GtCo2e/ano. Ou seja, as emissões da queima do petróleo da Margem Equatorial seriam pelo menos o triplo do teto de emissões que o Brasil se comprometeu a emitir em 2030.

Como boa parte desse petróleo deve ser exportado, não atrapalharia a contagem brasileira. Mas o clima é um só, e o que se emite em outro país vai esquentar o planeta – e afetar os brasileiros também.

Também no cômputo global fica evidente o impacto negativo da exploração da Margem Equatorial. De acordo com o SEEG, se de fato o desmatamento for zerado até 2030, mesmo que não haja redução de emissões em outros setores da economia, como energia e agropecuária, o Brasil estará em sete anos emitindo cerca de 905 milhões de toneladas de CO2 equivalente. É 25% menos do que os 1,2 GtCO2e previstos na NDC para 2030.

“Esse montante de emissões seria equivalente a continuarmos desmatando até 2035 ou até 2060, considerando que cumpriremos com a NDC em 2025 e depois vamos freando linearmente o desmatamento. Ou seja, explorar a Margem Equatorial seria equivalente ao dano causado pela postergação entre 5 anos e 30 anos da meta de desmatamento zero”, explicou o coordenador do SEEG, David Tsai.

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