A teóloga feminista Irmtraud Fischer desembarca em Deusto: “A igualdade de gênero levará mais de 100 anos para ser alcançada”

Foto: Stock Snap | Pixabay Canva

Mais Lidos

  • Vicente Cañas. Manter um processo vivo por trinta anos é uma vitória no país da impunidade. Entrevista com Michael Nolan e Ricardo Pael Ardenghi

    LER MAIS
  • Trump recua horas depois de o Papa Leão XIV ter considerado sua ameaça ao Irã "inaceitável". Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • A IA não é nem inteligente, nem artificial. Intenções humanas, extrativismo e o poder por trás das máquinas

    Parasita digital (IA): a pirataria dos saberes que destrói recursos naturais alimentada por grandes data centers. Entrevista especial com Miguel Nicolelis

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Junho 2023

Ela se aprofundou em "A Bíblia e as mulheres", projeto internacional que analisa a história da recepção de temas bíblicos a partir de uma perspectiva crítica de gênero.

A reportagem é publicada por Vida Nueva Digital, 15-06-2023.

Na cultura ocidental, a religião tem desempenhado um papel fundamental na construção das relações entre homens e mulheres, embora seja verdade que a pesquisa bíblica nos últimos séculos concentrou-se mais em esclarecer a origem histórica de seus textos do que em analisar a história e as motivações de suas várias interpretações.

Irmtraud Fischer, estudiosa do Antigo Testamento que lecionou e pesquisou por quase 40 anos na Universidade de Graz (Áustria), foi convidada para falar sobre o tema no DeustoForum, realizado no Salão de Grados da Universidade de Deusto.

Em sua conferência, ela se aprofundou em "A Bíblia e as mulheres", projeto internacional no qual aborda, juntamente com outros teólogos especialistas, as tradições tendenciosas da cultura cristã e judaica, analisando a história da recepção de temas bíblicos a partir de uma perspectiva crítica de gênero, incluindo figuras bíblicas femininas e questões relacionadas. Contam já com cerca de vinte volumes em 4 línguas (espanhol, inglês, alemão e italiano), sendo que o 21º, que tratará do século 21, está atualmente a ser trabalhado em Bilbao.

A Bíblia, cheia de mulheres empoderadas

Nesse sentido, a teóloga tem convidado a um retorno à origem dos textos bíblicos, uma vez que ao longo da história eles sofreram leituras e traduções tendenciosas pelo gênero, fazendo uma leitura androcêntrica que prioriza o masculino em detrimento do feminino, por por isso as mulheres têm sido fortemente discriminadas e estereotipadas.

De fato, ela garante que foi destas primeiras interpretações que nasceu a iconografia, que muito influenciou a arte e os meios de comunicação, fomentando preconceitos e a hierarquização de gênero, a discriminação e exclusão da mulher na sociedade, política e economicamente, bem como na esfera social, ainda que os textos bíblicos estejam repletos de mulheres empoderadas, que além de mães são criadoras e exercem muitos outros papéis ativos.

Por todas essas razões, dada a discriminação de gênero herdada por gerações em quase todas as religiões do mundo, a professora Fischer pediu que as instituições sociais, culturais e religiosas cooperem em questões de gênero desde que, no ritmo atual, a igualdade de gênero levará mais de 100 anos para ser alcançado.

Em sua opinião, as sociedades que exigem igualdade precisam reinventar suas estruturas, tomar decisões ousadas e promover projetos enérgicos, restabelecendo o centro do poder e o acesso ao dinheiro público.

Leia mais