O Caminho Sinodal alemão é uma “fonte de esperança” para os católicos transgêneros, escreve delegada

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19 Abril 2023

A postagem de hoje vem da colaboradora convidada Mara Klein. Mara foi uma jovem delegada não binária do Caminho Sinodal alemão, um processo que lança um olhar acolhedor à LGBTQ. Mara participou do grupo de trabalho sobre sexualidade e relacionamentos e foi recentemente eleita para o Comitê Sinodal permanente na Alemanha. A jovem escreveu anteriormente para o Bondings 2.0 sobre sua experiência no Caminho Sinodal, em texto disponível aqui, bem como falou durante um painel do New Ways Ministry sobre questões LGBTQ+ e sinodalidade, disponível aqui. Para saber mais sobre o Caminho Sinodal alemão e as questões LGBTQ+, clique aqui.

O artigo é de Mara Klein, publicado por New Ways Ministry, 18-04-2023.

Eis o artigo.

No dia 11 de março, o Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha foi concluído após três anos de discussões e decisões. A Assembleia final em março foi uma montanha-russa emocional para os queer presentes, como eu, e outros assistindo de casa. No final, tornou-se uma fonte de esperança.

Dois documentos importantes para a igualdade LGBTQ+ estavam em debate: um discutindo bênçãos para casais do mesmo sexo e outro sobre direitos para pessoas trans e intersexuais na Igreja. Eu contribuí no grupo de trabalho para os dois documentos. No segundo dia de assembleia, o texto endossando as bênçãos foi aprovado com a necessária maioria de dois terços dos bispos votando a favor. Por limitações de tempo, o texto sobre a diversidade de gênero, também previsto para votação naquele dia, foi adiado para o dia seguinte. A maioria da assembleia considerou importante o suficiente para iniciar o debate sobre o texto uma hora antes da manhã seguinte.

Não ficou claro se o texto da diversidade de gênero seria aprovado, visto que muitos outros textos foram submetidos a mudanças massivas de última hora pelos bispos. Por causa dessas mudanças de última hora, alguns textos, como aquele sobre os direitos das mulheres na Igreja, evoluíram de textos aceitáveis ​​com sinais de compromisso para ecos fracos e rasos do que poderiam ter sido. Dado que os bispos não ofereceram mudanças substanciais ao texto da diversidade de gênero, suspeitei que provavelmente não passaria. Os dias e horas que antecederam o debate foram incrivelmente tensos, enquanto nós apoiadores/as pensávamos em como teríamos que salvar o documento.

Algo notável aconteceu: a grande maioria dos palestrantes naquela manhã apoiou publicamente o texto. Esses palestrantes incluíram vários bispos apoiadores, principalmente um membro da Conferência Episcopal Australiana, que esteve presente como convidado internacional. Pouco antes da votação final, um membro do grupo de trabalho que preparou o documento falou das suas próprias experiências como intersexo, o que não era de conhecimento comum até aquele momento. Seu corajoso testemunho ajudou o texto da diversidade de gênero a passar com 95,51% da assembleia. Dos quase 200 membros da assembleia, apenas 8 votaram contra e 19 se abstiveram. Ainda é difícil acreditar que esse resultado incrível aconteceu.

Quando o Caminho Sinodal começou, três anos atrás, o tema da diversidade de gênero passava ao largo da maioria dos membros. Agora, este documento é um marco na abordagem dos interesses das pessoas transgênero, intersexuais e genderqueer.

E o trabalho não termina com a conclusão da assembleia. O próximo passo será reunir um grupo de trabalho composto por bispos, leigos, especialistas e genderqueer para discutir este tema e as sugestões feitas no texto do Caminho Sinodal. Enquanto isso, todos os bispos são convidados a seguir outras sugestões feitas pelo texto, como permitir alterações nos registros de batismo de uma pessoa, fornecer educação LGBTQ+ aos obreiros da Igreja e garantir acesso igualitário aos espaços da igreja. Os católicos precisam pedir aos bispos que apoiem seus votos estabelecendo esses grupos de trabalho locais.

A visão do Caminho Sinodal sobre a diversidade de gênero também pode se expandir além da Alemanha. O texto sugere que o Papa Francisco e todos os bispos reavaliem a antropologia de gênero da Igreja, a valorização de pessoas trans e intersexuais, o respeito por seus direitos humanos e seu acesso ao emprego na igreja, incluindo a ordenação.

Para mim, o Caminho Sinodal não terminou com a assembleia final. No encontro, fui eleita para participar de um Comitê Sinodal a ser estabelecido em breve, que trabalhará para garantir a futura sinodalidade dentro da Igreja Católica na Alemanha. Sou grata por ter a oportunidade de fazer nossas vozes queer serem ouvidas neste processo por mais três anos.

Hoje, minhas orações vão especialmente para todos os meus irmãos transgêneros, que vivem em circunstâncias muito incertas e assustadoras no momento, e para as pessoas LGBTI em Uganda e outros países onde não estamos seguros. Espero que nossas lutas como pessoas LGBTQ+ alemãs e aliados para obter a maioria dos votos para esses documentos no Caminho Sinodal possam contribuir para uma mudança dentro da igreja de forma mais ampla, para que ela possa cumprir sua missão de proteger os marginalizados e estar com os perseguidos.

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