Bispos alemães em visita ad limina. Artigo de Marcello Neri

Foto: Jomarc Cala | Unsplash

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16 Novembro 2022

"Essa visita ad limina representa a possibilidade de aprendizado mútuo entre a Conferência Episcopal Alemã e os dicastérios da cúria – também estes últimos devem, de fato, exercitar-se numa prática sinodal que necessariamente transforma a natureza que herdaram de sua configuração moderna".

O comentário é do teólogo e padre italiano Marcello Neri, professor da Universidade de Flensburg, na Alemanha, publicado por Settimana News, 14-11-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Começou na manhã de segunda-feira com uma concelebração eucarística no túmulo de Pedro, a visita ad limina dos bispos alemães. Os encontros com os vários dicastérios e depois com o Papa Francisco vão além de uma dimensão puramente local, pois representam a oportunidade para apresentar e explicar a inserção do Caminho Sinodal alemão dentro do mais amplo processo sinodal iniciado por Francisco para a Igreja universal.

Uma oportunidade para falar diretamente, e não por vias transversas através de mídias, relatórios informais e cartas abertas, e chegar a um esclarecimento entre a Igreja alemã e a Cúria Romana. Mas também a oportunidade de verificar o quanto são virtuosos os processos sinodais, assim como eles inervaram e transformaram o próprio Caminho Sinodal na Alemanha.

Para ser efetivamente assim, os resultados da sinodalidade não podem ser predeterminados - e não podem se excluir a priori matérias e temas sobre os quais a comunidade de fé discute, se confronta, reza, para implementar um processo de discernimento eficaz e realista.

Chega-se a este encontro com limitações de ambas as partes: uma má comunicação a Roma por parte alemã, que não nos permitiu mediar não só os conteúdos, mas também os processos que levaram à elaboração final dos documentos do Caminho Sinodal; uma preocupação romana alimentada principalmente por rumores e um lobby unilateral sobre o que aconteceu nos últimos anos na Igreja alemã.

Olhando as coisas do ponto de vista de hoje, depois da publicação do documento para a fase continental do Sínodo da Igreja universal sobre a sinodalidade, pode-se dizer que a Igreja alemã e seu Caminho Sinodal não representam uma exceção, não estão buscando nenhum caminho nacional e não se erguem acima do caminho de todo o povo de Deus. Muito do que foi produzido na Alemanha pode ser encontrado no próprio documento romano – as diferenças que permanecem são principalmente devido ao enraizamento concreto em um contexto específico que é próprios de cada Igreja local.

Essa visita ad limina representa a possibilidade de aprendizado mútuo entre a Conferência Episcopal Alemã e os dicastérios da cúria – também estes últimos devem, de fato, exercitar-se numa prática sinodal que necessariamente transforma a natureza que herdaram de sua configuração moderna. A época inédita de que fala Francisco também diz respeito à Cúria, à sua forma de trabalhar e à sua própria autocompreensão dentro da experiência da Igreja Católica.

Em primeiro lugar, aquela de acompanhar os processos sinodais das várias Igrejas locais, bem antes de julgá-los: uma orientação pastoral dos próprios dicastérios romanos, não como lugar de centralização de decisões, mas de costura de uma realidade comum católica que se explicita no plural mesmo quando é compartilhada por muitos.

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