Brasileiros querem aumento de impostos para os muito ricos, mostra pesquisa

Foto: geralt | Pixabay

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27 Setembro 2022

 

Em períodos eleitorais candidatos às Casas Legislativas se apresentam como, se eleitos, representantes do povo. Poderiam, pois, dar mais atenção a pesquisas que levantam desejos, vontades, necessidades e direitos desse povo que dizem representar. A pesquisa “Nós e as Desigualdades 2022”, produzida pela Oxfam Brasil em parceria com o Instituto Datafolha é um desses guias.

 

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista. 

 

Resultados da pesquisa mostram que é quase unânime (96%) a opinião popular de que é obrigação dos governos garantirem renda e assistência social às pessoas mais vulneráveis e que o aumento de impostos para pessoas muito ricas deve financiar políticas sociais, no entendimento de 85% do universo pesquisado.

 

Datafolha entrevistou, de 8 a 15 de março, 2.564 pessoas em 130 municípios de pequeno, médio e grande portes do país. Aumento da oferta de empregos e aumento do salário-mínimo são medidas prioritárias arroladas pelos entrevistados; 85% entendem que o progresso do Brasil está condicionado à redução das desigualdades entre pobres e ricos.

 

Esta foi a quarta edição da pesquisa. Seus resultados, conclui a Oxfam, possibilitam a análise de uma série histórica iniciada em 2017. “Consolidando a percepção das três pesquisas anteriores, fica evidente a importância que a sociedade brasileira dá à redução das desigualdades como passo fundamental para o progresso do país, conforme opinião de quase nove em cada 10 brasileiros”, assinala a organização.

 

Oito em cada dez brasileiros e brasileiras apontam a necessidade de redução das alíquotas de impostos sobre bens e serviços, e aumento da taxação sobre renda e patrimônio para as pessoas mais ricas. Não é essa, porém, a urgência que deputados e senadores dão ao tema. Propostas de reforma do sistema tributário tramitam a passos de tartaruga no Congresso Nacional, ao contrário do que se constata quando se tratou de aprovar um teto de gastos ou a derrubada de direitos trabalhistas.

 

Em 100 anos de história, o quadro parece inalterável. Quando da visita de Washington Luís a Porto Alegre, em junho de 1926, o jornal Neue Deutsche Zeitung, em editorial, cobrava do presidente eleito que enfrentasse os malefícios causados ao país pela política do Legislativo, relata o historiador René Gertz no livro “O aviador e o carroceiro”.

 

“O Congresso tem timbrado quase em todas as fases de sua existência pela crescente e inexorável majoração dos direitos, impostos e taxas, surdo aos mais justificados clamores do povo”. Quem paga a conta, segundo o editorial, é “a produção brasileira na sua capacidade de concorrência nos mercados do mundo”. “Mancomunada com essa implacabilidade mercantilista da orientação tributária de nosso Congresso iam, porém, por outro lado, tendências de uma prodigalidade na votação das despesas que às vezes roçavam pelo delírio”.

 

São os “nossos” representantes!

 

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