“É verdade, há abusos de autoridade e sexuais na vida consagrada”, admite secretário da Congregação para os Institutos de Vida Religiosa

Foto: Vatican News

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31 Agosto 2020

“É verdade que há escândalos, é verdade que há abusos de autoridade e sexuais, e a Igreja quer enfrentar isto com muita seriedade”. O espanhol José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os Institutos de Vida Religiosa, admitiu a existência de maus-tratos dentro das congregações religiosas, durante uma entrevista à agência Rome Reports.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 29-08-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O dicastério, seguindo instruções do próprio Papa, decidiu por acabar com o flagelo do abuso de religiosas por parte dos bispos ou eclesiásticos, que plantam suas raízes em uma concepção patriarcal da Igreja e na ânsia de poder autoritário, sejam eles prelados, gerais ou superioras. Muitas mulheres acabaram abandonando, sós e de mãos vazias, os lugares onde formaram suas vocações. Algumas, inclusive, como apontou Religión Digital, acabaram se prostituindo ou sem documentos, tornando-se ilegais. Francisco encomendou às scalabrinianas a criação de uma casa para estas ex-religiosas.

“Se conhecemos algum caso, atuamos. A Igreja deu normas muito claras e nós tentamos segui-las”, declara Carballo, que insiste na necessidade da formação no uso da autoridade. “Urge, urge, formar as pessoas que são chamadas. Não as que buscam ter autoridade, já que (se a buscam) então converte-se em poder e disso vem o abuso. E aqui seria bom discernir sobre a escolha dos superiores ou das superioras, nem todo mundo pode ser”.

“Eu sei que se fala muito, também na Igreja e na vida consagrada, de ‘leadership’. Eu, pessoalmente, prefiro usar a terminologia de serviço da autoridade, sabendo que autoridade, etimologicamente, significa fazer o outro crescer”, defende Carballo, que pôs como objetivo de sua congregação combater todo o tipo de abusos presentes na vida religiosa. Um desafio impostergável.

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