“A crise climática é uma crise dos direitos da criança”, afirma UNICEF

Fonte: Piqsels

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10 Dezembro 2019

“A crise climática ameaça atrasar o progresso dos direitos da criança, sem um investimento urgente e suficiente em soluções que beneficiem as crianças mais vulneráveis”, afirmou o UNICEF, quando a Conferência sobre Mudança Climática da ONU - COP25 entra em sua segunda semana.

A reportagem é publicada por El Mostrador, 08-12-2019. A tradução é do Cepat.

“Dos furacões às secas, inundações e incêndios florestais, as consequências da crise climática nos cercam, afetando crianças e ameaçando sua saúde, educação, proteção e sobrevivência”, disse Gautam Narasimhan, consultor sênior do UNICEF sobre mudança climática, energia e meio ambiente.

“As crianças são atores essenciais para responder à crise climática. Devemos colocar todos os nossos esforços em soluções que sabemos que podem fazer a diferença, como reduzir a vulnerabilidade a desastres, melhorar o gerenciamento de recursos hídricos e garantir que o desenvolvimento econômico não ocorra à custa da sustentabilidade ambiental”, pontuou.

Algumas formas em que a crise climática está afetando as crianças:

  • Atualmente, cerca de 503 milhões de crianças vivem em áreas com um risco extremamente alto de inundação devido a eventos climáticos extremos, como ciclones, furacões e tempestades, além do aumento do nível do mar. Os investimentos na redução de riscos de desastres, como sistemas de alerta precoce, podem ajudar a preparar as comunidades para proteger as crianças durante eventos climáticos extremos.
  • O número de crianças deslocadas por fenômenos climáticos extremos no Caribe aumentou seis vezes, nos últimos cinco anos. De 2014 a 2018, 761.000 crianças foram deslocadas internamente, em comparação com 175.000 deslocadas entre 2009 e 2013. As estratégias que limitam o deslocamento forçado e diminuem o tempo de reabilitação para que as famílias possam regressar para suas casas são críticas.
  • Cerca de 160 milhões de crianças vivem em áreas que experimentam altos níveis de seca e, em 2040, 1 em cada 4 viverá em áreas de estresse hídrico extremo. Existem tecnologias para gerenciar eficazmente a água, mas um maior investimento para aumentar as técnicas pode ajudar a localizar, extrair e gerenciar de forma sustentável a água.
  • - Os desastres relacionados ao clima aumentam o risco de meninas abandonarem a escola e serem forçadas a se casar, tráfico de menores, exploração sexual e abuso. Educar as meninas aumenta sua conscientização sobre a crise climática e desenvolve sua capacidade de recuperação e capacidade de enfrentar esses impactos.
  • Quase 90% da carga de doenças atribuíveis à mudança climática é assumida por crianças menores de cinco anos. Mudanças de temperatura, precipitação e umidade afetam diretamente a reprodução e a sobrevivência de mosquitos que transmitem doenças mortais. No entanto, a melhoria das capacidades de previsão, complementada com o apoio aos trabalhadores e sistemas de saúde no território, nos permite mapear a prevalência de doenças com mais precisão, além de prever e interromper os mecanismos e vias de transição.
  • Aproximadamente 300 milhões de crianças respiram ar tóxico, 17 milhões têm menos de 1 ano de idade. Essas crianças vivem em áreas onde os níveis de PM2.5 excedem seis vezes os limites internacionais estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde, e tem um efeito prejudicial imediato e de longo prazo na saúde, na função e no desenvolvimento do cérebro. As fontes de energia mais limpas e renováveis, o acesso barato ao transporte público, mais espaços verdes nas áreas urbanas e um melhor gerenciamento de resíduos que evite a queima aberta de produtos químicos nocivos podem ajudar a melhorar a saúde de milhões.
  • O ar tóxico, causado em grande parte pelas emissões de carbono e outros gases do efeito estufa, tem graves consequências para crianças pequenas, contribuindo para a morte de cerca de 600.000 menores de cinco anos, a cada ano, devido a pneumonia e outros problemas respiratórios. Apesar de conhecer seus perigos, muitos locais com altos níveis de poluição não possuem sistemas de monitoramento em nível do solo para medir o problema regularmente. Apenas 6% das crianças na África, por exemplo, vivem a 50 km de uma estação de monitoramento em nível de solo.

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