Bispos dos EUA levantam o dedo para Francisco ao quebrar tradição e eleger Naumann para liderar comitê pró-vida

Arcebispo Joseph Naumann | Foto: YouTube

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16 Novembro 2017

Os Bispos dos Estados Unidos quebraram a tradição esta manhã, ao escolher o Arcebispo Joseph Naumann, de Kansas City, Kansas, para presidente do Comitê de Atividades Pró-vida. Ele derrotou o Cardeal Blase Cupich, de Chicago, por 96 contra 82 votos. Para ser franco, eram os bispos que estavam levantando o dedo médio para o Papa Francisco.

A reportagem é de Michael Sean Winters, publicada por National Catholic Reporter, 14-11-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O Comitê de Atividades Pró-vida tem sido liderado por um cardeal, uma maneira de os bispos demonstrarem que priorizam a entidade. O presidente atual é o Cardeal Timothy Dolan, que, assim como Naumann, é um dos protegidos do Cardeal Justin Rigali.

Aqueles de nós que vêm assistindo aos bispos nos camarotes à esquerda há algum tempo têm um ditado sobre a carreira de Rigali: "Ele destruiu tudo em que pôs as mãos”. Ao fornecer seu relatório do Comitê na segunda-feira, Dolan apontou Naumann e o elogiou. Foi uma maneira não tão sutil de passar a perna.

O contraste entre os dois candidatos para Presidente do Comitê de Atividades Pró-vida foi a escolha mais simples com que os bispos se depararam. Naumann e Cupich representam os dois entendimentos divergentes da interação da Igreja com a cultura do ambiente. Naumann defende a cultura. Cupich promove o engajamento e o diálogo.

Em 2008, Naumann disse à governadora Kathleen Sebelius que ela não deveria se apresentar para a comunhão por sua posição ‘pro-choice’ [que defendem o direito a abortar]. Esta interpretação do Cânone 915 iniciou com o Cardeal Raymond Burke, mas nunca foi a posição adotada pela maioria dos bispos, que consideravam um erro politizar a comunhão eucarística. Naumann também impôs que suas paróquias parassem de hospedar grupos de escoteiras por se preocupar que estivessem, de alguma forma, envolvidas com planejamento familiar. Ele não é um grande defensor da cultura do encontro.

Cupich, por outro lado, abraçou a ética consistente da abordagem da vida introduzido por seu antecessor, o Cardeal Joseph Bernardin. Muitos dos zelanti do movimento pró-vida ressentiam profundamente os esforços de Bernardin e queriam um foco exclusivamente no aborto. Lembro um bispo auxiliar que me disse que depois que ele deu uma palestra defendendo a ética consistente da vida, seu ordinário o chamou e disse: "Não usamos esse tipo de linguagem aqui".

Subjacente a como abordar questões pró-vida estava algo mais profundo: Como os bispos sentem-se sobre o Papa Francisco? Cupich foi excluído da relativamente pequena diocese de Spokane por Francisco e enviado para Chicago, seu primeiro trabalho importante na hierarquia dos EUA. Francisco também nomeou Cupich para a Congregação para os bispos que veta candidatos para o episcopado e, consequentemente, é acusada de estruturar a próxima geração de líderes da Igreja.

Não vejo outra escolha tão simples entre os outros candidatos. Para o cargo de secretário da conferência, que implica a participação no Comitê Executivo, o Arcebispo Paul Coakley, de Oklahoma, perdeu para o Arcebispo de Detroit, Allen Vigneron, por 88 a 96 votos. Vigneron assumirá imediatamente.

A Comissão para a doutrina será liderada pelo bispo Kevin Rhoades, de Fort Wayne-South Bend, Indiana, que conquistou 110 votos contra 95 do bispo Daniel Thomas, de Toledo, Ohio. A corrida pela liderança da Comissão de Comunicações apresentou o Bispo John Barres, de Rockville Centre, Nova York, contra o Bispo Michael Burbidge, de Arlington, Virginia: Burbidge venceu com 116 votos contra 70 de Barres. O concurso do National Collections Committee foi conquistado pelo Bispo Joseph Cistone, de Saginaw, Michigan, contra o Arcebispo Michael Jackels, de Dubuque, Iowa, com uma votação de 124 a 65. No Comitê para a Diversidade Cultural, o bispo Nelson Perez, de Cleveland, enfrentou o bispo Shelton Fabre, de Houma-Thibodaux, Louisiana, com uma vitória de Perez por 107 contra 77 votos. Todos serão presidentes eleitos por um ano e vão assumir a presidência no ano que vem.

Na reunião de junho, os bispos votaram a favor de tornar permanente o Comitê Ad Hoc de Liberdade Religiosa. Eles elegeram o Arcebispo Joseph Kurtz, de Louisville, Kentucky, último presidente da conferência, como o primeiro presidente do Comitê permanente. Ele derrotou o Arcebispo Jerome Listecki, de Milwaukee, por 113 a 86 votos. Kurtz assumirá a liderança da comissão imediatamente.

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