Algo não está bem na Igreja

Fonte: Rupnik

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13 Março 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 4,5-42 que corresponde ao Terceiro Domingo de Quaresma, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

A cena foi recriada pelo evangelista João, mas permite-nos conhecer como era Jesus. Um profeta que sabe dialogar sozinho e amigavelmente com uma mulher samaritana, pertencente a um povo impuro, odiado pelos judeus. Um homem que sabe escutar a sede do coração humano e restaurar a vida das pessoas.

Junto ao poço de Sicar, ambos falam sobre a vida. A mulher convive com um homem que não é o seu marido. Jesus sabe disso, mas não se indigna nem recrimina. Fala-lhe de Deus e explica-lhe que é um «presente»: «Se conhecesses o dom de Deus, tudo mudaria, até a tua sede insaciável de vida». No coração da mulher, desperta uma pergunta: «Será este o Messias?».

Algo não está bem na nossa Igreja se as pessoas mais solitárias e maltratadas não se sentem escutadas e acolhidas pelos que dizíamos seguir Jesus. Como vamos introduzir no mundo o seu evangelho sem «nos sentarmos» a escutar o sofrimento, o desespero ou a solidão das pessoas?

Algo não está bem na nossa Igreja se as pessoas nos veem quase sempre como representantes da lei e da moral, e não como profetas da misericórdia de Deus. Como vão «adivinhar» em nós aquele Jesus que atraía as pessoas para vontade do Pai, revelando-lhes o Seu amor compassivo?

Algo não está bem na nossa Igreja quando as pessoas, perdidas numa obscura crise de fé, perguntam por Deus e nós falamos de controle de natalidade, de divórcio ou de preservativos. De que falaria hoje com as pessoas aquele que dialogava com a samaritana tratando de mostrar-lhe o
melhor caminho para saciar a sua sede de felicidade?

Algo está mal na nossa Igreja se as pessoas não se sentem amadas por quem são os seus membros. Dizia Santo Agostinho: «Se queres conhecer uma pessoa, não perguntes o que pensa, pergunta o que ama». Ouvimos falar muito sobre o que a Igreja pensa, mas os que sofrem perguntam-se o que a Igreja ama, quem ama e como os ama. Que podemos responder desde as nossas comunidades cristãs?

 

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