Com saída de médicos cubanos, saúde indígena perderá 81% dos profissionais

Médico cubano Héctor Rodrigues atende paciente da etnia mundurucu na comunidade Praia do Índio, em Itaituba (PA). Foto: Paulo Basta | Divulgação

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21 Novembro 2018

Dos 382 médicos que atuam na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), 301 são cubanos que participam do programa Mais Médicos e podem encerrar os atendimentos ainda este ano com o fim do convênio entre Brasil e Cuba. Os dados foram obtidos pelo jornal Folha de São Paulo e são do Ministério da Saúde.

A reportagem foi publicada por Amazônia.org, 20-11-2018.

O Amazonas perderá 78 profissionais e será o Estado mais prejudicado, seguido por Mato Grosso (35), Pará e Roraima, com 26 cada um.

Especialistas e representantes indígenas temem que sejam perdidos os avanços de atendimento realizados pelos médicos. As taxas de anemia materna entre os povos tradicionais são altas e a mortalidade infantil chega a ser até 20 maior do que entre as crianças não indígenas. Dados da BBC apontam que as mortes das crianças indígenas de até 9 anos por desnutrição representaram 55% do total do país entre os anos de 2008 a 2014. O número é ainda mais impactante ao se considerar que os indígenas são apenas 0,4% da população.

O governo de Cuba anunciou no último dia 14 a saída do país do programa brasileiro Mais Médicos após críticas feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que exigiu alterações no programa modificando o contrato atual para contratações individuais e a revalidação dos diplomas no Brasil.

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