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Donald Trump (Fonte: Reprodução | Youtube)

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13 Março 2026

Doze dias após Donald Trump ordenar o início da guerra contra o Irã, críticos alertam que pode ser o início da Terceira Guerra Mundial, que existe o risco do uso de armamento nuclear e que também pode marcar o início do fim de sua presidência.

A reportagem é de David Brooks e Jim Cason, em artigo publicado por La Jornada, 12-03-2026. A tradução é do Cepat.

A aventura bélica contra o Irã é a guerra estadunidense menos apoiada pela opinião pública em décadas. Esta falta de apoio popular, combinada com suas consequências imediatas e de longo prazo sobre a estabilidade do Oriente Médio - mesmo entre os aliados tradicionais de Washington -, seus efeitos sobre a economia mundial - especialmente no preço do petróleo - e o gasto fenomenal (algumas estimativas são de um bilhão de dólares por dia) levam alguns analistas a considerar que essa decisão militarista enfraquecerá politicamente o chefe da Casa Branca, tanto em casa quanto na comunidade internacional.

Outros especialistas preveem que pode levar a um desastre maior. O especialista em assuntos geopolíticos Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia, alerta que “já estamos nas primeiras etapas da Terceira Guerra Mundial”, em um conflito que, afirma, não atinge apenas o Irã, mas a hegemonia estadunidense em um mundo que já não controla. À frente está “um homem louco”, que é um “narcisista maligno” desenfreado.

Em entrevista a Danny Haiphong esta semana, Sachs prognosticou uma “catástrofe econômica global”, provocada pelo mercado de petróleo. Mais ainda, o perigo está em que Trump não sabe o que está fazendo, o que é “como Roma nas mãos de Nero ou Calígula”. Ressaltou: “não estamos mais em uma ordem constitucional, mas em uma espécie de loucura” nos Estados Unidos.

Para o coronel aposentado Lawrence Wilkerson, ex-assessor de Colin Powell, quando este era secretário de Estado com George Bush, na guerra contra o Iraque, uma das maiores preocupações é a possibilidade de Israel decidir usar armas nucleares na guerra contra o Irã e aliados de Teerã, no Oriente Médio.

Em entrevista ao programa Democracy Now, Wilkerson apontou que “este governo cometeu mais crimes de guerra nos últimos dias do que qualquer outro país, desde Adolf Hitler. “Bombardeamos incessantemente. Destruímos uma escola, um hospital, pessoas”.

Também alertou que Trump e sua equipe calcularam muito mal este conflito e que, ao final, não será algo que possam “vencer”. De fato, ressaltou que possivelmente “testemunhamos agora os passos iniciais da retirada do império estadunidense do Levante e Oriente Médio em geral”. Argumentou que Netanyahu, sim, calculou a situação “e penso que está pronto para usar uma arma nuclear”, se as coisas forem de mal a pior.

Wilkerson prevê que “este é o fim da presidência de Trump”, pois terá de responder pelas crescentes baixas que acontecerão e as mentiras que usou para esta guerra, e se está a serviço de Israel.

Enquanto isso, os resultados preliminares da investigação oficial sobre o bombardeio a uma escola primária, no sul do Irã - pelo qual o presidente e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, inicialmente, culparam o Irã -, apontam que foram mísseis estadunidenses os responsáveis por 175 mortes, a maioria de alunas e seus professores, informou o New York Times. Suas fontes oficiais não identificadas indicaram que se tratou de um erro na identificação do alvo e que foram utilizadas coordenadas baseadas em “dados desatualizados”.

Esse incidente alimentou dúvidas entre o público a respeito da ofensiva militar. Mais ainda, esta guerra não está gerando o “patriotismo” desejado pela Casa Branca. De acordo com pesquisas recentes, a maioria dos estadunidenses se opõe ao conflito com o Irã.

Mais notável ainda é que esta é a guerra estadunidense com o menor nível de apoio em mais de 80 anos, segundo o jornal The New York Times. Só 41% da população a apoia.

Outras pesquisas registram diferentes níveis de desaprovação: uma análise da Reuters registrou apenas 27% de apoio e outras da NPR/PBS registraram 36% de apoio. No entanto, oito em cada dez republicanos estão a favor do presidente (embora haja sinais de declínio).

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