A feliz mensagem do evangelho. Artigo de Enzo Bianchi

Foto: Samuel McGarrigle | Unsplash

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

16 Janeiro 2024

"Especialmente a partir do Concílio Vaticano II, na igreja católica aparece e se afirma o tradicionalismo, um fenômeno complexo, variegado e mutável", escreve Enzo Bianchi, fundador da Comunidade de Bose, membro da comunidade Casa Madia, em artigo publicado por La Repubblica, 15-01-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Especialmente a partir do Concílio Vaticano II, na igreja católica aparece e se afirma o tradicionalismo, um fenômeno complexo, variegado e mutável.

Diz respeito a uma parcela da Igreja que quer permanecer em estreita continuidade com o passado, não aceita nenhum progresso na compreensão da fé, nem mudanças nas formas em que a fé se expressa. Somente “aquela” forma do passado (na realidade, um passado recente!), apenas uma certa teologia e apenas uma certa liturgia estão no espaço da verdade e da tradição. E assim o passado é idealizado, transformado em monumento, enquanto o presente com a dinâmica da renovação é julgado de forma catastrófica.

Na realidade, essa posição, que quer ser fiel à tradição, nega a tradição autêntica, a grande Tradição, porque a tradição - de tradere, transmitir - é tal se for transmissão criativa, uma corrente viva que se alimenta do crescimento como um jardim a ser cultivado. Os tradicionalistas endurecidos negam, de fato, a catolicidade vertical, histórica, privilegiando uma época e não reconhecendo que o Espírito inspira e também age no presente. Os tradicionalistas são também uma reação a uma renovação desordenada, um conjunto de inovações que não só contradizem a grande Tradição, mas também não têm coerência com a fé cristã.

Especialmente no âmbito litúrgico, não se pode negar que no período pós-Concílio testemunhamos por vezes a celebrações fantasiosas, que prefiro qualificar como ofensivas ao mistério cristão: canções mundanas e de mau gosto, sinais e ritos inventados sem discernimento, espetacularidades que desfiguram o rito e fazem com que alguns se entrincheirem num passado que nega qualquer reforma.

Porém, se o fulcro da contestação tradicionalista é sobretudo a missa renovada nos seus ritos pelo Vaticano II, a respeito da qual se pede o regresso à missa pré-conciliar - aquela tridentina, não a de sempre -, a parcela tradicionalista mostra dentro de si diversidade, pluralidade de posições e de ênfases. Há mosteiros, entre os quais se destacam os beneditinos franceses de Barroux, Wisques, Triors, que são um recurso na Igreja: preservam fielmente os antigos ritos, o grande tesouro do canto gregoriano, vivem a vida monástica com seriedade evangélica. A Igreja hoje não leva suficientemente em conta essas realidades, ofuscada pela contestação realizada nas redes sociais por muitos grupos tradicionalistas que negam legitimidade à reforma litúrgica do Concílio e que atacam o Papa de forma vergonhosa, a ponto de muitas vezes declará-lo herético. O diálogo com eles é difícil e, no entanto, o Papa Francisco tenta não excluir essas realidades da Igreja e oferecer uma reconciliação mesmo àqueles que o atacam. Porque o Papa Francisco está convencido de que o Evangelho é uma mensagem feliz, não o Evangelho do medo nem da saudade do passado. Se o Evangelho não for uma boa e alegre notícia, não é Evangelho.

Leia mais