Algo para re-dizer: uma (segunda) reflexão sobre a Igreja e a pandemia

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Junho 2021

 

"Uma contribuição para a reflexão eclesial e cultural, numa passagem delicada, para apreender a tragédia que vivemos e continuamos a viver como uma oportunidade para reencontrar prioridades perdidas e para relançar uma experiência de comunidade e de fraternidade".

O comentário é de Andrea Grillo, teólogo italiano e professor do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em artigo publicado por Come Se Non, 21-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis o artigo. 

O mesmo grupo que se reuniu pela primeira vez no período mais duro do "lockdown" em março de 2020 e continuou a "reunir-se" sempre rigorosamente "on-line", depois de ter escrito em maio de 2020 um primeiro e-book (Dalle finestre di casa) agora publica um novo e-book; Qualcosa da ri-dire (Algo para re-dizer, em tradução livre). Ambos podem ser baixados gratuitamente no site das edições Queriniana. Nesse meio tempo o grupo enriqueceu-se com novos membros e constitui uma "comunidade de reflexão" que coloca questões e perspectivas em torno da surpreendente novidade de um mundo e de uma Igreja que, diante da emergência sanitária, descobriu dinâmicas ocultas, apreciou dimensões subestimadas, repensou hábitos ​​e remodelou prioridades. Está aqui definida, na Introdução, a intenção fundamental deste segundo volume:

 

Retorno do idêntico?

Reprodução da capa do livro

 

Na troca de experiências e reflexões do novo grupo ampliado, emergiu desde logo a dificuldade posta pela segunda e terceira ondas da pandemia. Um ano após o primeiro lockdown, reencontramo-nos quase nas mesmas condições de limitação e de rarefação

dos encontros pessoais, ainda fortemente condicionados pela presença do vírus, mais desgastados psicologicamente e mais conscientes da complexidade da crise provocada pela pandemia. 'Nada mais será como antes', costumávamos dizer no ano passado, mas neste 2021 sentimos uma sensação de déja-vu, de retorno do idêntico.

Nos diferentes âmbitos da vida (família, trabalho, igreja ...) alternaram-se curtos períodos de retomada com novas quarentenas, com uma crescente sensação de precariedade e cansaço no cotidiano.

A sensação foi a de ser periodicamente mandados de volta à casa de largada, de ter que recomeçar sempre tudo de novo. O prefixo 're-' é perfeitamente adequado para expressar a reiteração, a sensação de impotência, a dificuldade de imaginar o futuro e fazer planos.

No entanto, é precisamente nessas fissuras das nossas habituais certezas que uma nova visão pode surgir: o prefixo 're-' também tem um significado regenerativo e dinâmico,

exprime o empreendimento com nova energia de um caminho ou de uma obra, indica uma novidade, uma nova forma de enfrentar e ver a realidade.

A realidade inédita desta passagem histórica exige ser 'dita'com palavras novas, mas ainda assim antigas, que possam servir como chaves para a interpretação do tempo

presente: propomos seis (saúde-salvação, cuidado, confiança, hospitalidade, trabalho e gerações). Nas diferentes reflexões são 're-ditas' para lançar uma luz de significatividade sobre a nossa experiência.

'Re-dizer' significa, de fato, repetir, reiterar, retornar às origens, recolhendo o legado de palavras que enervaram a espiritualidade e a teologia cristãs, mas significa também introduzir uma interpretação crítica e dinâmica, aberta ao novo, capaz de desmascarar fixismos e preconceitos.

O prefixo "re-", em sua potencialidade geradora, chama de volta à ação: ao lado das seis palavras, este texto propõe seis verbos (re-compreender, re-conhecer, re-partir, re-entregar, re-vitalizar, re-criar).

Palavras e ações, redescobertas e restituídas ao presente da história, através de reflexões escritas a várias mãos, por pessoas diferentes por competências e linguagem, mas unidas

pela urgência de re-dizer a razão da nossa esperança".

Uma contribuição para a reflexão eclesial e cultural, numa passagem delicada, para apreender a tragédia que vivemos e continuamos a viver como uma oportunidade para reencontrar prioridades perdidas e para relançar uma experiência de comunidade e de fraternidade, que a existência eclesial e a existência civil sentiram, nunca como neste tempo, como uma tarefa decisiva.

 

Leia mais