A esmola sustentável

Dom Konrad Krajewski e Papa Francisco. (Foto: Vatican Media)

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18 Agosto 2020

"Se o desafio de salvaguardar o equilíbrio entre tradição e inovação, entre a esmola de sempre e as novas esmolas, empenha todos os dias a dupla Bergoglio-Krajewski, há um desafio maior que paira sobre eles. É o desafio de uma Igreja que aspira ao papel de ator do desenvolvimento global, como corresponsável pelas políticas econômicas do futuro, modelo de gestão financeira e porta-estandarte da sustentabilidade", escreve Marco Ventura, em artigo publicado por La Lettura, 17-08-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Há vestígios desde os primeiros séculos do cristianismo de esmoleiros do Papa. Os canonistas estabeleceram suas funções durante o século XIII por ordem de Inocêncio III e Gregório X. A história continua hoje. Há uma grandeza específica na persistência do ofício, com seu sabor de outros tempos, e sua interpretação muito moderna pela dupla Bergoglio – Krajewski, Francisco e Dom Konrad, o pontífice argentino e seu cardeal esmoleiro polonês.

Perpetuam-se categorias milenares, como a esmola, de fato, e os necessitados a quem se destina, e as bênçãos apostólicas do Papa por meio de diplomas em papel-pergaminho assinados pelo esmoleiro e ofertas para a emissão de diplomas, e "contribuições para a caridade do Papa”. Ao mesmo tempo, o estilo e as ações são renovados. Konrad Krajewski acolhe refugiados e migrantes em seu apartamento, instala chuveiros sob o pórtico de São Pedro, levanta discussões sobre suas iniciativas.

Se o desafio de salvaguardar o equilíbrio entre tradição e inovação, entre a esmola de sempre e as novas esmolas, empenha todos os dias a dupla Bergoglio-Krajewski, há um desafio maior que paira sobre eles. É o desafio de uma Igreja que aspira ao papel de ator do desenvolvimento global, como corresponsável pelas políticas econômicas do futuro, modelo de gestão financeira e porta-estandarte da sustentabilidade.

Nesse sentido, arrecadar ofertas e distribuir esmolas não basta, podendo até ser contraproducente se não se proceder à revisão da linguagem, das categorias, da mentalidade e das intervenções que o horizonte do desenvolvimento sustentável impõe e que a própria Igreja recomenda aos governos, ao terceiro setor, às empresas e à finança. A esmola viaja no tempo: se se renova em profundidade, se não evita a questão do crescimento, se não descuida da autonomia dos indivíduos e das comunidades, se não confunde Igreja e estado, pode contribuir a desenhar a economia global do pós-pandemia.

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