Pais, alunos e professores de escolas particulares aderem à paralisação em defesa da educação

Foto: Editorial J | Flickr CC

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15 Mai 2019

Protestos foram marcados em todo o País contra o bloqueio de verbas, ataques contra universidades e cursos de humanas.

A reportagem é de Isabela Palhares, publicada por O Estado de S.Paulo, 14-05-2019.

Pais, alunos e professores de dezenas de colégios particulares de todo o País decidiram aderir à paralisação desta quarta-feira, 15, em defesa da educação. Em São Paulo, segundo o Sinpro-SP (Sindicato dos Professores da Rede Privada), ao menos 25 unidades terão as atividades alteradas ou interrompidas para a manifestação organizada por entidades estudantis e de educadores.

Entre os que tiveram adesão de algum dos grupos estão colégios tradicionais da capital, como o Santa Cruz, Vera Cruz, Oswald de Andrade, Equipe, São Domingos, Escola da Vila e Gracinha. Na tarde desta terça-feira, 14, a federação de escolas particulares (Fenep) encaminhou ofício recomendando aos colégios que não paralisem as atividades e que descontem o salário de professores que não comparecerem às aulas.

A manifestação foi marcada após o anúncio do Ministério da Educação de bloqueio de 30% do orçamento das universidades federais, da educação básica e corte de bolsas para pesquisa. Também é contra os ataques que foram feitos pelo ministro Abraham Weintraub contra as universidades e cursos da área de humanas. Ele ainda protestam contra projetos como o Escola sem Partido.

O colégio Santa Cruz suspendeu as aulas após os professores decidirem, em assembleia, aderir à paralisação. E informou que , oportunamente, comunicará como será a reposição das aulas desse dia. Um grupo de alunos da unidade publicou uma carta defendendo a participação na manifestação.

No colégio Vera Cruz, após decisão dos professores de paralisar, um grupo de pais e alunos se manifestou a favor da decisão e anunciou que também irá participar do protesto. "Indignados com as recentes medidas do atual governo federal e os ataques constantes que a educação nacional vem sofrendo nos últimos anos, consideramos crucial que as múltiplas camadas da sociedade se posicionem em defesa da educação em todos os seus níveis (...) O momento exige posicionamento e nós não iremos nos furtar a ele", diz a carta dos pais.

Para não prejudicar as famílias que não tiverem com quem deixar os filhos, o grupo de pais diz ter organizado uma rede solidária para cuidar de crianças menores.

Outros colégios, como o São Domingos, apoiaram a decisão dos alunos em assembleia e vão paralisar completamente as atividades. O bloqueio de verbas para as universidades e educação básica, a suspensão de bolsas para pesquisa, a "tentativa de desqualificação das humanidades", a "incitação de descrédito no trabalho de educadores" são alguns dos motivos citados pelo colégio para explicar a importância da manifestação.

"Estão na contramão do que realmente o setor necessita e ainda revelam retrocesso significativo de nosso País em relação à ordem democrática - valor que nossa escola cultiva desde a origem", diz carta da escola aos pais.

Em São Paulo, o ato está marcado para as 14h na avenida Paulista, em frente ao Masp.

Convocação

A greve foi convocada pelas maiores entidades estudantis e sindicais do País, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Ao menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País também convocaram protestos para esta quarta-feira, em resposta ao bloqueio de 30% de seus orçamentos.

As universidades estaduais de diversos estados também decidiram pela paralisação - em São Paulo, por exemplo, os reitores das três instituições paulistas, Usp, Unicamp e Unesp, convocaram docentes e alunos para "debater" os rumos da educação no País - depois do anúncio do corte de bolsas para educação e pesquisa. Cientistas e pesquisadores de diversas instituições e estudantes de faculdades privadas também vão ao protesto. É o caso, por exemplo, da PUC-SP e Mackenzie.

Além da comunidade do ensino superior, a rede básica também aderiu a paralisação. A Apeoesp, sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, o maior da América Latina, convocou os professores para a manifestação. Os sindicatos da rede municipal também aderiram.

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