Andrea Tornielli: 'Pela primeira vez em muitos anos, todos os pastores da China estão em comunhão com o Bispo de Roma'

Andrea Tornielli. Foto: Reprodução YouTube

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10 Janeiro 2019

Andrea Tornielli, diretor editorial do dicastério vaticano para a Comunicação, no Vatican News, analisa o discurso do Papa Francisco diante do Corpo Diplomático. “Um primeiro passo histórico, fundamental em uma viagem que não acabou e que ainda levará tempo”.

O comentário foi publicado por Vatican News, 09-01-18. A tradução é de Graziela Wolfart.

Em seu discurso sobre o "estado do mundo" visto com os olhos da Santa Sé, o Papa Francisco dedicou algumas linhas importantes à assinatura do Acordo Provisional com a República Popular da China.

É um passo importante, porque destaca mais uma vez a intenção de que a Santa Sé se comprometeu durante anos com um "diálogo institucional longo e reflexivo" cujo primeiro resultado significativo está representado pelo Acordo firmado em Pequim em 22 de setembro de 2018 pelo subsecretário de Relações da Santa Sé com os Estados, Antoine Camilleri, e o Vice-ministro de Relações Exteriores da República Popular da China, Wang Chao.

Os últimos Pontífices e seus colaboradores se comprometeram, não com um propósito político ou diplomático, mas para fomentar a unidade da Igreja Católica na China e a unidade entre os bispos chineses e o Sucessor de Pedro, o que significa garantir os elementos essenciais para a vida das comunidades católicas.

O Papa Francisco quis recordar em seu discurso diante do Corpo Diplomático que havia readmitido os bispos "oficiais" ordenados sem mandato pontifício em plena comunhão eclesial, "convidando-os a trabalhar generosamente para a reconciliação dos católicos chineses e para um renovado impulso de evangelização".

Pela primeira vez em muitos anos, todos os pastores da Igreja Católica Chinesa estão em comunhão com o Bispo de Roma. Um sinal desta plena comunhão foi a participação significativa de dois bispos da China continental no Sínodo sobre os jovens. Recordaram a emoção do Papa ao saudá-los durante a celebração da missa inaugural no cemitério da Basílica de São Pedro.

As linhas finais do parágrafo dedicado à China no discurso papal aos diplomáticos também devem ser destacadas: "Espera-se que a continuação dos contatos na aplicação do Acordo Provisional firmado contribua para resolver os problemas pendentes e garantir os espaços necessários para o aproveitamento efetivo da liberdade religiosa".

Mais uma vez, deduzimos o que é inerente ao título do acordo: ser um primeiro passo histórico, fundamental em uma viagem que não acabou e que ainda levará tempo. Sobre a nomeação dos novos bispos, como se anunciou em setembro, chegou-se a um acordo.

Mas ainda há trabalho a fazer, concretamente, para resolver vários assuntos delicados pendentes, inclusive o caso de bispos "clandestinos" que ainda não foram reconhecidos pelo governo chinês: uma atividade que compromete a Santa Sé e que tem como único objetivo a unidade da Igreja e a possibilidade de que milhões de cidadãos católicos chineses professem sua fé em plena comunhão com o Papa.

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