Também na mesa cada um deve fazer a sua parte

Foto: Cris Komesu - Flickr

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21 Setembro 2018

A espera acabou: chegou a décima segunda edição do Terra Madre Salone del Gusto. Alimentos que revolucionam o mundo é o tema central do evento. Afinal, que uma mudança radical do sistema em que estamos imersos seja necessária é uma observação compartilhada por todos: os dados relativos à fome e à pobreza são ainda (e cada vez mais!) preocupantes, o desgaste do solo e a mudança climática estão em ato, e o acesso ao conhecimento ainda é um direito elitista. A boa notícia é que o caminho a percorrer para revolucionar esse mundo existe e todos podemos trilhá-lo, ninguém está excluído. Mas em tudo isso, o que a comida tem a ver? Por que dedicar toda a edição ao nexo entre comida e mudança?

O comentário é de Carlo Petrini, publicado em la Repubblica, 20-09-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Porque a comida, que nos une como seres vivos, é a principal ferramenta que temos para operar uma revolução lenta, pacífica e global. Por um lado, porque a sua produção, distribuição e consumo são as principais causas do esgotamento dos recursos naturais e, por outro, porque cada um de nós opera escolhas diárias no setor alimentar. E é por isso que estamos todos envolvidos, embora muitas vezes inconscientemente: se a mudança tiver que ocorrer em escala global, nossos comportamentos individuais, nossas escolhas de consumo e nossas ações diárias podem fazer a diferença influenciando positivamente o futuro do planeta e das nossas vidas.

Se o impacto da produção de alimentos é um dado de realidade, nós, como cidadãos, em aliança com produtores, distribuidores, transformadores, chefs e, claro, instituições, podemos orientar a sua direção. Sustentar com nossas compras modelos agrícolas que se preocupam com a terra e com quem a cultiva, prestar mais atenção ao desperdício, reduzir o consumo de carne ou simplesmente aumentar a consciência do que temos no prato, permitiria canalizar o poder dos alimentos na direção correta.

Essa consciência só pode ser alcançada através da informação e da educação, dois caminhos que a Slow Food vem trilhando há anos. Cada agricultor, fazendeiro, pescador e/ou ativista deve ser um exemplo concreto de que, ainda hoje, uma alternativa viável para o pensamento – e também ao sistema de produção - único existe e resiste, e perceberá que não está sozinho. Criar comunidade é também isso: lutar juntos, mesmo que espalhados pelo mundo, pela mesma missão.

O Terra Madre há mais de dez anos representa uma parte do sistema alimentar e do mundo que funciona e é cada vez mais um exemplo e uma esperança para todos. Turim espera vocês para conhecer e interagir com produtores e pessoas maravilhosas, que representam o melhor dessa boa, limpa e justa produção que é o futuro para o qual se orientar. Que as danças comecem!

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