Cardeais Tarcisio Bertone e George Pell diante dos tribunais

Tarcisio Bertone e George Pell (Fonte: Religión Digital)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

19 Julho 2017

Surgem sombras no futuro judicial de dois dos mais altos representantes da Igreja católica. Nesta terça-feira, em Roma e Melbourne, dois cardeais, Tarcisio Bertone e George Pell, se encontrarão no centro das atenções daqueles que lutam contra a corrupção e os abusos contra menores, duas das linhas vermelhas no Pontificado de Francisco.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 18-07-2017. A tradução é do Cepat.

O ex-secretário de Estado, como beneficiário de desvio de verbas do hospital pediátrico do Vaticano (para financiar as reformas de seu luxuoso ático), e o cardeal australiano acusado de abusos sexuais contra menores.

Desse modo, nesta manhã [17-07], o Tribunal Vaticano julgará o ex-presidente do Bambino Gesú, Giuseppe Profiti, e o ex-tesoureiro do centro, Massimo Spina, acusados de desviar doações ao hospital para reformar a residência de Bertone.

Profiti, a quem Bertone nomeou presidente do hospital, em 2008, disse que os 422.000 euros de fundos da fundação do hospital, utilizados para reformar a casa de Bertone, foram um investimento, porque se pensava em utilizar o lugar para atos de arrecadação de fundos para o hospital.

O sucessor de Bertone como secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, disse que o julgamento demonstra a transparência que o Papa Francisco quer levar às finanças da Igreja católica. “É apropriado que todo mundo preste contas por seu comportamento”, ressaltou o número dois da Santa Sé. E como não poderia ser de outro modo, as coisas estão mudando, e muito, por trás dos muros vaticanos.

Não deixa de ser interessante que, no caso do ex-secretário de Estado, seja a Santa Sé quem anuncia e prepara o julgamento, algo que, há apenas quatro anos, era praticamente impensável. Os únicos processos judiciais dos quais se teve conhecimento midiático foram os dois Vatileaks, o do famoso Paolo Gabriele, com Bento XVI; e o mais recente, já com Francisco, e que envolvia o espanhol Lucio Ángel Vallejo Balda e a italiana Francesca Chaouqui.

No que diz respeito ao “superministro de finanças” vaticano em licença, foi a própria Rádio Vaticano que anunciou que hoje “ocorrerá a audiência preliminar do processo a cargo do cardeal George Pell, Prefeito da Secretaria para a Economia, por casos de abuso contra menores”.

“Os fatos levantados remontam aos anos 1970, quando o Purpurado era sacerdote. No último dia 29 de junho, o Escritório de Imprensa da Santa Sé divulgou um Comunicado no qual se lê que “o Santo Padre, informado disto pelo próprio cardeal Pell, concedeu-lhe um período de licença para poder se defender”, disse a nota vaticana. No dia 26 de julho será o julgamento e, a partir daí, poderemos saber mais de quem, certamente, tenha sido o grande erro do Papa Francisco no momento de escolher homens de sua confiança.

Enquanto isso, não resta dúvida, o sistema funciona. E pede responsabilidades. E que seja a justiça (a civil, nos dois casos) a que decida se são culpados ou inocentes.

Leia mais