O novo diretor dos Legionários de Cristo admite que alguns visitadores pediram a sua dissolução

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Por: André | 12 Fevereiro 2014

O novo diretor dos Legionários de Cristo, Eduardo Robles Gil (foto), informou que sete pessoas receberam uma indenização econômica entre 10.000 e 20.000 euros, pelos abusos cometidos pelo fundador dessa congregação, Marcial Maciel.

 
Fonte: http://bit.ly/1nsDxo2  

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 10-09-2014. A tradução é de André Langer.

Robles Gil detalhou que a congregação tem denúncias contra 35 sacerdotes legionários, nove dos quais foram encontrados culpados de cometer algum tipo de abuso. O diretor dos Legionários de Cristo disse que em 14 casos não se comprovou que tenha havido abuso e que 10 casos seguem sob investigação.

Na semana passada, os Legionários de Cristo pediram perdão pelos abusos sexuais cometidos por seu fundador, o padre Marcial Maciel, e pelo “silêncio institucional” em que incorreram.

A este respeito, o padre Eduardo Robles Gil disse que a desculpa foi em geral a todas as vítimas de abuso, não apenas sexual, mas de poder.

“Em 1997, havia pessoas que corajosamente fizeram denúncias, e elas eram oito. Depois apareceram outras na comissão de aproximação da qual fiz parte, de aproximaram 20 pessoas, mas havia todo tipo de abusos”.

Robles Gil admitiu que houve “um momento de muita desconfiança” na congregação, mas que agora enfrentam o futuro com “otimismo” e apostam numa revisão da formação, diante do abandono de alguns legionários, por mais participação no governo e por uma maior rotatividade entre os superiores.

Em uma entrevista à COPE recolhida pela Europa Press, Robles indicou que inicia seu governo “com muita esperança” e “otimismo”, embora admita que lhe provocou um “pequeno susto inicial”, mas assume sua nomeação com parte de sua missão e para ajudar nesta nova etapa.

Perguntado sobre a possibilidade de que os Legionários de Cristo pudessem ter desaparecido devido às circunstâncias que rodearam a congregação, esclareceu que foi “um momento de muita dúvida”, de “muita desconfiança” no qual inclusive “alguns legionários decidiram sair”.

Além disso, admitiu que de fora, diante de “um comportamento escandaloso” do fundador, pediam a dissolução, porque viam “uma mancha na Igreja que devia ser erradicada”. Assim mesmo, alguns visitadores pensavam que talvez pudesse ser dissolvida.

Não obstante, reconheceu que a “voz autorizada” de Bento XVI, a “pessoa melhor informada” sobre sua realidade, apontou no livro Luz do Mundo que foi nomeado um delegado e estavam em preparação as reformas necessárias e, para o novo diretor, “algo que se reforma, é algo que tem valor”.

Robles destacou que mais que “mudanças”, vão implementar “melhorias” nos Legionários de Cristo em relação à autoridade, à obediência e ao papel dos superiores, algo que, segundo precisou, foi criticado “com fundamento”, pois “houve pouca rotatividade”.

Neste sentido, acrescentou que buscam “maior participação de todos” no Governo e nos conselhos e que querem fazer uma formulação mais sintética em sua missão de evangelização.

Durante o Capítulo Geral da congregação, Robles garantiu que o clima é de “otimismo”, mas admitiu que “houve um cansaço inicial”, porque tiveram que esperar bastante tempo pela confirmação do Governo geral. Em qualquer caso, já terminou a revisão das constituições, a eleição do Governo e agora restam os temas de interesse.

Quanto ao futuro da congregação, apontou que trabalharão para fazer um governo mais participativo com uma vida fraterna “mais viva”, para revisar as etapas da formação, diante da situação “dolorosa” de que alguns legionários tenham abandonado a congregação neste tempo; e para reforçar o apostolado, “animando” alguns e “fortalecendo” outros.