Egito. A oposição cristã contra o fundamentalismo

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Por: André | 05 Dezembro 2012

A aceleração que o presidente Mohamed Morsi pretende dar rumo a um novo sistema islâmico e antidemocrático provocou o alarma entre os cristãos do Egito. Os coptas, sobretudo, estão levando a cabo ações diretas e diplomáticas, embora também as demais minorias estejam fazendo o mesmo. A Praça Tahrir voltou a encher-se de pessoas e protestos; a consistente minoria cristã do Egito (10% da população) se opôs imediatamente à nova situação do governo mediante as declarações, em alguns casos muito duras, de seus representantes, como indica a agência Adista.

A reportagem é de Luca Rolandi e está publicada no sítio Vatican Insider, 03-12-2012. A tradução é do Cepat.

A jogada da Irmandade Muçulmana determinou uma decidida reação por parte dos setores da sociedade egípcia que não renunciam à ideia de construir um país laico, democrático e que persiga a justiça social. Há poucos dias foi cancelado o encontro entre o novo Papa da Igreja copta ortodoxa, Tawadros II, e uma delegação das Igrejas católicas egípcias, porque as desordens públicas poderiam colocá-lo em perigo. A conversa havia sido anunciada pela agência Fides, que retomou as declarações do bispo de Assiut, Kyrillos William, vigário patriarcal dos coptas católicos.

“Vamos nos reunir para fazer consultas entre nós e coordenar as nossas iniciativas diante da emergência que o nosso país está atravessando”, havia declarado Kyrillos. Também havia indicado os motivos da própria preocupação: “Os que apoiam Morsi defendem que estes procedimentos são necessários justamente para salvaguardar o caminho da revolução. Mas todos os outros falam de deriva em direção à ditadura e dizem que o presidente Morsi pretende converter-se em um novo faraó”.

Também o padre Rafic Greiche, porta-voz da Igreja católica egípcia, havia expressado seus temores: “O Egito está em grave perigo”, disse em 23 de novembro à AsiaNews. “A Irmandade Muçulmana já conta com todos os poderes: legislativo, executivo e judiciário”.

Em 17 de novembro, depois que membros moderados e pluralistas da Assembleia Constituinte, além de alguns leigos e cristãos, abandonaram o parlamento como forma de protesto, a situação piorou ainda mais. Este gesto permitiu que se desse a mudança integrista com a colocação em marcha de “um plano preciso para transformar o Egito em um estado islâmico baseado na Sharia”.