Cardeal acusa David Cameron de comportamento ''imoral'' e de favorecimento dos ricos

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03 Mai 2012

O cardeal Keith O'Brien (foto) diz que o primeiro-ministro britânico não deveria proteger apenas os seus "colegas muito ricos", mas levar em consideração a sua obrigação moral para com os pobres.

A reportagem é de Shiv Malik, publicada no sítio do jornal The Guardian, 29-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma das figuras religiosas mais proeminentes da Grã-Bretanha, o cardeal Keith O'Brien, atacou David Cameron por seu comportamento imoral e por favorecer os ricos financistas da City [centro financeiro de Londres] antes do que aqueles que lutam com rendimentos mais baixos.

Falando à BBC, O'Brien, a mais alta autoridade católica romana da Escócia, disse: "Os pobres têm sofrido tremendamente com os desastres financeiros dos últimos anos, e realmente nada foi feito pelas pessoas muito ricas para ajudá-los".

"Eu estou dizendo ao primeiro-ministro: 'Veja, não proteja apenas os seus colegas muito rica da indústria financeiro. Considere a obrigação moral de ajudar os pobres do nosso país".

O'Brien também pediu que Cameron introduza um imposto Robin Hood, ou imposto sobre as operações financeiras, nos negócios da City.

"Minha mensagem a David Cameron, como chefe do nosso governo, é de pensar de novo seriamente sobre essa taxa Robin Hood, o imposto para ajudar os pobres a pegar um pouco dos ricos".

No ano passado, Cameron (foto) e o chanceler, George Osborne, lideraram esforços de escala europeia para deter a França e a Alemanha na introdução de tal taxa, argumentando que ela seria especialmente prejudicial para os interesses do Reino Unido.

Em uma entrevista concedida ao canal BBC1 Scotland que foi transmitida na íntegra no último domingo, O'Brien disse que era imoral "simplesmente ignorar" os que sofrem como resultado da crise do crédito.

"Quando eu digo pobre, eu não me refiro [apenas] à pobreza abjeta que às vezes vemos nas nossas ruas. Eu me refiro a pessoas que se consideram em uma posição razoavelmente favorável. Pessoas que foram salvas pelas suas pensões e agora percebem que seus fundos de pensão não existem mais. Pessoas que estão pensando em renunciar ao asilo ao qual estiveram poupando, a pobreza que afeta os casais jovens e assim por diante".

"São essas pessoas que tiveram que sofrer por causa dos desastres financeiros dos últimos anos, e isso é imoral. Não é moral simplesmente ignorá-las e dizer 'virem-se', enquanto os ricos podem ficar tranquilos".

O'Brien disse estar falando em favor de uma campanha por parte do Scottish Catholic International Aid Fund, que, juntamente com outros grupos religiosos e políticos, tem feito campanha pela introdução de uma taxa Robin Hood ou taxa Tobin, que poderia arrecadar 20 bilhões de libras [cerca de 60 bilhões de reais] por ano com uma taxação de 0,05% sobre as transações financeiras.

A entrevista foi transmitida depois que dados da lista dos mais ricos do jornal Sunday Times mostra que os bens dos 1.000 mais ricos da Grã-Bretanha aumentaram novamente neste ano para 414 bilhões de libras [mais de 1,3 trilhões de reais].

Respondendo à BBC, um representante de Downing Street disse que o primeiro-ministro estava "determinado a ajudar as pessoas" a lidar com as suas finanças.

Ele acrescentou que o governo havia "herdado uma dívida enorme – mas o primeiro-ministro está determinado a ajudar as pessoas que estão lutando com as consequências disso".

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