Humala se rodeia de tecnocratas e toledistas

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26 Julho 2011

A presença de empresários, economistas ortodoxos e ex-funcionários de Toledo, marca a equipe que assumirá nesta quinta-feira. A ala mais à esquerda da aliança teve pouca participação.

A reportagem é de Carlos Noriega e está publicada no jornal argentino Página/12, 26-07-2011. A tradução é do Cepat.

O presidente eleito Ollanta Humala decidiu recorrer ao suspense: vem revelando por etapas os nomes daqueles que farão parte do seu gabinete ministerial. Na quinta-feira passada divulgou os nomes de oito de seus ministros, no domingo à noite soltou outros oito nomes, e se reservou uma terceira entrega. A três dias de assumir a presidência, ainda lhe falta designar dois ministros: da Educação e Cultura.

A forte presença empresarial, de tecnocratas ortodoxos para as questões econômicas e de ex-funcionários do governo do ex-presidente de centro-direita Alejandro Toledo (2001-2006), em contraste com a pouca participação da esquerda, marcam a primeira equipe de governo de Humala, que venceu as eleições à frente da coalizão progressista Gana Perú e que nesta quinta-feira assumirá a presidência.

No domingo, depois de um fim de semana de rumores e especulações, o presidente eleito revelou os nomes de seus ministros do Interior, Trabalho, Comércio Exterior, Justiça, Agricultura, Transportes e Comunicações, Saúde e Habitação. Os designados conformaram a aproximação com os setores conservadores e o empresariado, o que se deixou ver com as oito primeiras nomeações conhecidas na quinta-feira passada, que incluiu o nome de Luis Miguel Castilla, economista apontado como ortodoxo liberal e que foi vice-ministro da Fazenda do atual presidente Alan García, na estratégica pasta da Economia.

A cota empresarial no gabinete de Humala se viu reforçada com esta segunda entrega de ministros. Para o Comércio Exterior ira o empresário exportador José Luis Silva, na Agricultura, o empresário pecuarista Miguel Cailloux, que está muito distante das preocupações e interesses dos camponeses pobres que votaram majoritariamente em Humala; e no Transportes e Comunicações estará o também empresário Carlos Paredes.

O ex-presidente Toledo, que apoiou no segundo turno o atual presidente e que lhe ofereceu seu apoio no Congresso para formar maioria, conseguiu emplacar quatro ex-funcionários seus. Aos nomes do ex-militar Daniel Mora na Defesa e do economista Kurt Burneo na Produção, anunciados na semana passada, se somaram os de Rudecindo Vega para a pasta de Trabalho e René Cornejo na Habitação. Vega foi ministro da Habitação de Toledo, enquanto Cornejo foi diretor do Pro-Inversión, organismo encarregado das privatizações e concessões das empresas públicas.

Humala foi um grande crítico da política trabalhista do governo de Toledo e das concessões e privatizações que foram feitas nesse regime, mas, numa decisão que se soma à contradição de nomear para Economia um defensor do modelo neoliberal depois de ter vencido as eleições prometendo mudá-lo, acabou entregando o Ministério do Trabalho ao partido de Toledo e incorporando em seu gabinete o funcionário que se encarregou das concessões e privatizações nesse governo.

Quando se esperava que num setor social chave como a Saúde se nomeasse alguém da ala progressista do governo, Humala acabou se decidindo pelo médico conservador Alberto Tejada, ex-árbitro de futebol. Desta forma, a esquerda que apoiou Humala nas eleições ficou muito enfraquecida no gabinete. Sua presença se reduz ao Ministério da Mulher e Desenvolvimento Social, que estará a cargo da dirigente do Partido Socialista Aída García Naranjo, e ao Ministério do Meio Ambiente, com o físico e ambientalista Ricardo Giesecke. Essa reduzida presença minoritária fica ainda mais fragilizada com a anunciada decisão de Humala de tirar do Ministério da Mulher e Desenvolvimento Social o manejo dos programas sociais para passá-los ao Ministério da Produção.

"Para ganhar as eleições, no segundo turno Humala fez um giro programático da esquerda para o centro; agora com a nomeação do gabinete esse giro foi mais para a direita. Este gabinete é uma primeira medida de governo que indica que não se está governando para o eleitorado de Humala, mas para o grande capital e os meios de comunicação que o expressam. Este gabinete é uma derrota para os setores progressistas do Gana Perú", disse a este jornal Carlos Monge, antropólogo, historiador e pesquisador do Centro de Estudos e Promoção do Desenvolvimento-Desco. Sobre a orientação do próximo governo, Monge assinala: "Vejo um governo que tem muito mais de continuidade que de mudança. Este gabinete anuncia um governo de centro-direita; será preciso esperar pelo que vai dizer no discurso presidencial".

Até agora o gabinete do ex-comandante Ollanta Humala se completa com dois ex-militares. À já conhecida designação do ex-militar Daniel Mora na Defesa, se somou a do tenente coronel retirado Oscar Valdés no Interior. "A nomeação de dois militares para a Defesa e Interior responde a uma lógica conservadora de Humala neste tema. Isto pode estar insinuando uma intenção de Humala de dar protagonismo aos militares em seu governo; isso não seria conveniente para o sistema democrático", assinalou a este jornal o sociólogo e analista político Carlos Reyna, professor da Universidade Católica.