Repúdio ao Discurso do Ministro do Meio Ambiente durante a COP26

Ministro Joaquim Leite (Foto: Wesley Sousa/ASCOM/SEAPC/MCTI/Wikimedia Commons)

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15 Novembro 2021

 

As organizações que assinam a carta repudiam os atos de hostilidade de parte da delegação do governo contra lideranças indígenas durante a COP26; o discurso do Ministro ocorreu nessa quarta-feira, 10.

 

A nota de repúdio é publicada pelo Conselho Missionário Indigenista - Cimi, 11-11-2021.

 

As organizações abaixo assinadas repudiam o discurso do Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Câmbio ClimáticoCOP26, no dia 10 de novembro, de 2021, por ser descolado da realidade, integracionista e distorcido.

Dentre outras passagens lamentáveis, o Ministro declarou: “[r]econhecemos também que onde existe muita floresta também existe muita pobreza”. Tal declaração vai diametralmente contra o próprio conceito de sustentabilidade, como se uma suposta solução para a grave crise Ambiental que assola o país fosse, de fato, o aprofundamento de um processo já acelerado de desmatamento e desmonte da governança ambiental do Brasil.

“Declaração vai diametralmente contra o próprio conceito de sustentabilidade, como se uma suposta solução para a grave crise Ambiental que assola o país fosse”

Contrariando uma tradição do Brasil, pela segunda vez o governo não credenciou nenhum integrante do movimento indígena ou da sociedade civil. A composição da delegação governamental, fortemente formada por atores militares, do agronegócio e indústrias, revela as reais intenções do governo na COP, diferente do que vem sido anunciado.

Repudiamos os atos de hostilidade de parte da delegação do governo contra lideranças indígenas durante a COP26, o que constitui um ato de represália e intimidação, no contexto da Resolução 12/2 do Conselho de Direitos Humanos. Estendemos nossa solidariedade às lideranças ofendidas durante a conferência.

É importante que o governo tenha aderido às declarações sobre a redução do gás metano e sobre florestas e o uso da terra. Contudo, há de se esperar para ver como tais compromissos serão implementados, principalmente pelo fato de representantes de diversos ministérios já demonstrarem hesitação em cumpri-los.

“Repudiamos os atos de hostilidade de parte da delegação do governo contra lideranças indígenas durante a COP26

Os povos indígenas, quilombolas e tradicionais e o povo negro, no contexto dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris, não são somente vítimas dos efeitos das mudanças.

São, sobretudo, agentes de mudança e atores fundamentais na busca de soluções para o aquecimento global. Na contramão desse princípio vai a tese do marco temporal, que ameaça sobremaneira os direitos dos povos indígenas, quilombolas e tradicionais, pressionando também o desmatamento desenfreado.

Conclamamos à comunidade internacional que redobre a atenção ao governo brasileiro, para que, não somente se comprometa com os acordos da COP26, mas também que os implemente de fato.

 

Assinam

  • 350.org Brasil
  • Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão – AMIM
  • Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi)
  • Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda
  • Associação para a Recuperação e Conservação Ambiental em defesa da Serra da Calçada
  • Associação Terra Indígena Xingu – ATIX
  • Casa do Rio
  • Centro de Trabalho Indigenista – CTI
  • Climainfo Instituto
  • Coalizão Negra Por Direitos
  • Comissão Pró Índio do Acre – CPI-Acre
  • Conselho das aldeias Wajãpi Apina
  • Conselho Indigenista Missionário – CIMI
  • Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro – DMIRN
  • Greenpeace Brasil
  • Hutukara Associação Yanomami – HAY
  • Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena
  • Instituto 5 Elementos de Educação para Sustentabilidade –
  • Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais
  • Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos – IDDH
  • Instituto de Desenvolvimento Indigena-INDI
  • Instituto Guaicuy
  • Instituto Peregum
  • Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
  • Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela
  • Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM) –
  • Organização dos Professores Indígenas do Acre – OPIAC
  • Rede de Cooperação Amazônica – RCA
  • Rede de ONGs da Mata Atlântica- RMA
  • Uneafro Brasil

 

 

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