Extrema direita pode barrar votação do fim da 6×1 no Senado

Foto: Reprodução/CUT

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25 Agosto 2026

Com a aproximação do período de esforço concentrado no Senado, entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, e a definição de Omar Aziz (PSD-AM) como relator da matéria que dá fim à escala 6×1 no país, senadores de extrema direita devem organizar ofensiva contra a pauta. O relator prometeu parecer sobre a proposição para quinta, 27 de agosto, enquanto o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), divulgou nas redes sociais que a proposta que reduz a jornada de trabalho no país deve ser apreciada em 2 de setembro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A reportagem é de Niara Aureliano, publicada por ExtraClasse, 24-06-2026.

Nos bastidores, é esperado que a oposição ao governo Lula (PT) tente algumas estratégias para barrar o avanço da pauta, como pedidos de vista para adiar a votação na CCJ e a apresentação de emendas para alterar o texto aprovado na Câmara dos Deputados, em 27 de maio. Caso os senadores alterem o mérito do texto aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados.

Para ser aprovada no Senado, uma PEC precisa do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação.

Relatoria

A definição da relatoria na última quinta, 21 de agosto, acelera a tramitação da pauta, que é uma das principais bandeiras da campanha de Lula e defendida por pelo menos 73% dos brasileiros, de acordo com a pesquisa feita pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados.

Caso tivesse sido enviada à CCJ em maio e pautada pelos senadores, o trabalhador brasileiro poderia ir às urnas em outubro deste ano já sentindo as alterações na escala de trabalho. A matéria aprovada na Câmara prevê redução de duas horas na jornada de trabalho dois meses após promulgação.

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Horário flexível

O modelo defendido pela extrema direita é baseado em horas efetivamente trabalhadas e foi transformado em proposta de emenda à Constituição (PEC) como resposta à aprovação da PEC do fim da escala 6×1 na Câmara. Salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário seriam calculados de forma proporcional à carga horária cumprida, apostando na negociação entre empregador e trabalhador.

A proposição foi apelidada de escala 7×0 nas redes sociais. O autor é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deve liderar o movimento da extrema direita na Casa.

No mesmo dia em que foi protocolada, em 28 de maio, foi despachado à CCJ pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP). A matéria do fim da escala 6×1, aprovada na Câmara em 27 de maio, só foi encaminhada à CCJ em 18 de agosto, com a retomada do diálogo entre Alcolumbre e o presidente Lula.

Ainda em maio, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula, afirmou que não designaria relator para a proposta da extrema direita, e que a prioridade seria dada à PEC aprovada pela Câmara.

O potiguar

Marinho foi relator da Reforma Trabalhista de 2017 na Câmara dos Deputados e um dos articuladores da reforma da Previdência de 2019. A PEC 12/2026 retoma pontos centrais da Reforma Trabalhista de 2017 como ampliar a prevalência de acordo individual sobre acordos coletivos negociados por sindicatos.

Como estratégia, a campanha de Flávio Bolsonaro tem evitado criticar publicamente o fim da escala 6×1.

O primeiro turno das eleições acontece em 4 de outubro.

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