28 Mai 2026
O exército israelense, que demarcou uma faixa de 40 km ao sul do país, já matou 3.213 pessoas em território libanês desde 2 de março.
A reportagem é publicada por EFE e reproduzida por El Diario, 27-05-2026.
O exército israelense instou todos os moradores do sul do Líbano, onde havia mais de 800 mil pessoas antes da guerra, a se deslocarem à força para além do rio Zahrani e demarcou os 18% do território libanês situados entre a fronteira e essa nova linha divisória como uma “zona de combate”.
“Aconselhamos os moradores do sul do Líbano a evacuarem a área ao norte do rio Zahrani, pois todas as áreas ao sul do rio são consideradas zonas de combate. As Forças de Defesa de Israel não têm intenção de prejudicar a população civil”, disse o porta-voz militar israelense Avichay Adraee à agência X, em árabe.
Esta é a segunda ordem de expulsão em massa publicada hoje pelo Exército, após uma primeira contra Tiro (sul), uma cidade com cerca de 200.000 habitantes, duas horas antes de Israel começar a bombardeá-la.
“Os ataques contra centros de comando (do Hezbollah) na região de Tiro continuam neste momento”, afirmou o Exército em um comunicado recente, acrescentando que também atacaram alvos no Vale do Bekaa e em outros locais no sul do Líbano.
“Desde o início da semana, as Forças de Defesa atacaram aproximadamente 550 alvos do Hezbollah no Líbano”, conclui o texto, apesar de Israel e o governo libanês — interlocutor da milícia xiita — terem assinado um acordo de cessar-fogo em 16 de abril, que foi prorrogado.
Em 12 de março, antes do acordo de cessar-fogo, Israel já havia emitido uma ordem de deslocamento idêntica contra toda a área sul do Líbano, exigindo também que as pessoas deixassem suas casas além do rio Zaharani, que corre a cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira israelo-libanesa.
Até agora, Israel ocupava e operava ao sul do rio Litani, no Líbano (entre 10 e 15 quilômetros mais ao sul), mas com as ordens de evacuação emitidas nesta quarta-feira, está reduzindo à força o território disponível para os libaneses.
Tiro, sul do Líbano: muitas famílias desalojadas dormem neste local improvisado, que também está cheio de crianças e jornalistas. Inclusive, foi aqui que tirei uma foto de uma menino com a camisa da seleção de Portugal. pic.twitter.com/MOxPmMw082
— Stefani Costa (@sttefanicosta) May 28, 2026
Existe um cessar-fogo no Líbano desde meados de abril, mas ele não é respeitado nem por Israel (que continua matando diariamente) nem pelo Hezbollah, que lança drones contra tropas israelenses em território libanês e, às vezes, além da fronteira.
Israel continua seus ataques ao sul do Líbano e mata pelo menos mais duas pessoas.
Ontem, terça-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou uma escalada dos ataques ao Líbano e a tomada de novas "áreas estratégicas" pelo exército.
Israel prosseguiu seus ataques contra vários locais no sul do Líbano na quarta-feira, onde fontes oficiais confirmaram até o momento a morte de pelo menos duas pessoas em diferentes ataques aéreos.
A Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA) informou que duas pessoas morreram e uma ficou ferida em bombardeios israelenses contra a área de Deir Amas, na cidade de Tiro, no sul do país, onde os moradores já haviam recebido "telefonemas aleatórios de Israel, instando-os a evacuar suas casas imediatamente".
A ANN acrescentou que aviões de guerra israelenses realizaram um segundo ataque aéreo contra um prédio na área do projeto Al Roz, na entrada de Abbasiyeh, ao norte de Tiro, destruindo-o completamente.
Ele também relatou que um drone israelense atingiu um chalé no resort Turquoise, na estrada de Naquoura, enquanto outros ataques aéreos israelenses alvejaram o campo de refugiados palestinos de Rashidieh, ao sul de Tiro.
O Centro de Operações de Emergência do Líbano, que faz parte do Ministério da Saúde Pública, informou no dia anterior que o número acumulado de mortos desde o início dos ataques israelenses ao país, em 2 de março, era de 3.213, com 9.737 feridos.
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