“Domínio energético”: Trump recorre à guerra cultural para defender combustível fóssil

Donald Trump (Foto: Gage Skidmore | Flickr cc)

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12 Fevereiro 2025

Mesmo os EUA produzindo volumes recorde de petróleo, Trump defende a volta a um passado imaginário, que mistura guerra cultural aos interesses do Big Oil.

A informação é publicada por ClimaInfo, 12-02-2025.

As últimas três semanas desde a volta de Donald Trump ao governo dos EUA parecem ter sido meses. O volume insano de decisões, das mais importantes às mais ridículas, repete a velha estratégia de flooding the zone que o republicano adotou em seu primeiro governo. Mas, em meio ao cacareco de ruídos, uma novidade chamou a atenção de alguns analistas mais atentos: a nova retórica da Casa Branca na defesa da energia fóssil.

O Grist destacou um termo que ganhou espaço nos discursos de Trump & Cia.: “dominância energética”. Para o novo governo, os EUA precisam perseguir o domínio da energia e voltar a um passado em que o petróleo foi o centro do crescimento econômico norte-americano.

O que isso significa? Difícil dizer. A começar, ele não faz sentido: o petróleo não apenas segue no centro da economia dos EUA, como também a produção norte-americana de combustíveis fósseis nunca foi tão grande como agora. Como voltar a um passado que, na verdade, nunca existiu?

Para alguns observadores, o termo “domínio” está intimamente relacionado à abordagem machista e à guerra cultural impulsionados pelo trumpismo. O petróleo virou uma espécie de “combustível masculino” que perdeu terreno nas últimas décadas pelo avanço de novas fontes energéticas, como as eólica e solar, mais limpas. Essa história ressoa fortemente dentro do principal grupo demográfico da coalizão de Trump – os homens brancos cisgênero.

“É parte dessa visão nostálgica do passado, onde os EUA eram inundados de petróleo, e os homens estavam no comando, e o patriarcado era menos desafiado do que é hoje”, comentou Elizabeth Carolyn Miller, da Universidade da Califórnia em Davis.

Outro termo, este mais batido, que remete a essa mesma abordagem é o famoso “drill, baby, drill”, que virou palavra de ordem da Casa Branca de Trump para aprovar novos projetos de exploração petroleira sem restrições ambientais. Tanto a perfuração quanto o uso do termo baby trazem uma conotação sexual óbvia.

Outro exemplo de como a guerra cultural está sendo instrumentalizada em favor dos interesses do Big Oil é a celeuma em torno dos canudos de papel. Nesta 2ª feira (10/2), a Casa Branca derrubou uma determinação do governo Biden que restringia a compra de canudos de plástico como medida para combater a poluição por resíduos plásticos.

Durante a campanha eleitoral, Trump transformou os canudos de papel em um dos vilões da população norte-americana, espalhando um argumento absurdo atrás do outro. Ele chegou a dizer que os canudos de papel poderiam causar intoxicação e até “explodir” na boca das pessoas.

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