Dia da Sobrecarga da Terra e a lógica do consumo

Foto: NASA | Unsplash

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

01 Agosto 2024

Neste ano de 2024, o Dia da Sobrecarga da Terra será “comemorado” no dia 1º de agosto. Esta é uma data simbólica e que, ao mesmo tempo, merece muita atenção: é uma estimativa de quando a nossa civilização supera a capacidade da Terra de produzir ou renovar seus recursos naturais utilizados ao longo de um ano. Em outras palavras, gastaremos em 7 meses o que deveria ter sido gasto até dezembro.

A reportagem é de Danilo Pessôa, publicada na newsletter da Alter Conteúdo, 30-07-2024.

Para realizar este cálculo, a organização Global Footprint Network divide a biocapacidade da Terra de gerar recursos pelo consumo de recursos naturais. Depois, multiplica-se o número pela quantidade de dias no ano.

O levantamento também mostra essa data da sobrecarga por país. O Brasil, por exemplo, chega a este limite no dia 4 de agosto, muito próximo da média mundial. Qatar e Luxemburgo são os campeões de gastos de recursos naturais, tendo ambos atingido a sobrecarga ainda no mês de fevereiro. No ritmo atual, seria necessário 1,7 planeta igual ao nosso para que essa equação ficasse equilibrada. Como não existe outra Terra, o que precisamos mudar é a nossa lógica de consumo.

Este é, de fato, um desafio imenso. Primeiro, porque temos um sistema econômico que incentiva esse mesmo consumo excessivo e o acúmulo que tanto precisamos controlar. E se não ficarmos atentos, o capitalismo consegue monetizar até mesmo esse sentimento de urgência com relação ao nosso planeta. Em outras palavras, é importante nos preocuparmos em consumir produtos que sejam mais verdes e que impactam menos o nosso planeta. Entretanto, mais do que isso, precisamos reduzir o nosso consumo. Sentir-se com a consciência mais tranquila porque adquiriu um produto mais verde é permanecer nesse mesmo ciclo vicioso que vem destruindo o nosso único lar. Consumir com consciência é bom. Evitar o consumo é melhor ainda.

Em segundo lugar, e tão importante quanto, é que precisamos falar sobre a desigualdade social. Consumimos muito mais do que o planeta consegue repor, mas, afinal, quem é esse “consumidor compulsivo”? Segundo estudo de 2022 feito pelo Banco Mundial, é improvável que o mundo consiga atingir a meta de erradicação da pobreza extrema até 2030. Estima-se que cerca de 600 milhões de pessoas ainda enfrentarão dificuldades e viverão com menos de US$2,15 por dia. Isso mostra que a concentração de capital e, consequentemente, o acúmulo de bens não é um problema de todos. Esgotamos os nossos recursos em apenas 7 meses e, ainda assim, centenas de milhões de pessoas não têm acesso ao básico.

Entraremos, mais uma vez, no cheque especial com o nosso planeta. E esta dívida já está começando a ser cobrada. Precisamos subverter a lógica do consumo. Precisamos pensar em uma nova forma de existir, menos pautada no ter e mais focada em incluir, reduzir e respeitar o lar em que vivemos.

Leia mais