A gentileza. Artigo de José Tolentino Mendonça

Foto: avi_acl | Pixabay

Mais Lidos

  • Conscientização individual dos efeitos das mudanças climáticas aumenta, mas enfrentamento dos eventos extremos depende de ação coletiva, diz pesquisador da Universidade de Santa Cruz (Unisc)

    Dois anos após as enchentes: planos de governo das prefeituras gaúchas não enfrentam as questões climáticas. Entrevista especial com João Pedro Schmidt

    LER MAIS
  • ‘Grande Sertão: Veredas’ e suas questões. Artigo de Faustino Teixeira

    LER MAIS
  • Como Belo Monte mudou para sempre o Xingu

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

28 Novembro 2023

"Que dar só por dar não basta: é preciso fazê-lo com delicadeza. Que reivindicar tudo como um direito não é sensato: devemos, ao contrário, aprender a praticar com maior empenho a arte da gratidão", escreve José Tolentino Mendonça, cardeal português e prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, em artigo publicado por Avvenire, 25-11-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Qual o segredo da gentileza, dessa forma afetuosa de administrar a realidade e as relações? Acredito que resida na sabedoria de não colocar como força motriz da vida a desconfiança nos outros ou a indiferença, mas uma capacidade concreta de empatia com os nossos semelhantes, tanto nas coisas grandes quanto naquelas que nos parecem migalhas, meros detalhes. A gentileza exige de nós que antes de qualquer julgamento, nos coloquemos no lugar do outro e com mais frequência nos perguntemos o que ele está sentindo, do que precisa, que desejo daria alívio ao seu espírito ou faria reacender seu sorriso.

A gentileza é aquela pureza de coração que nos permite olhar para o outro sem julgamentos prévios, com uma verdadeira disposição para ouvir e compreender.

A gentileza nos ensina que amar não é suficiente: deve ser feito com elegância. Que dar só por dar não basta: é preciso fazê-lo com delicadeza. Que reivindicar tudo como um direito não é sensato: devemos, ao contrário, aprender a praticar com maior empenho a arte da gratidão. A gentileza nos impele a construir presenças que não sejam sufocantes, conversas que não ocupem inutilmente, presentes que não prendam, mas colocar o outro no centro, escolhendo para nós o escondimento de quem sabe que a verdadeira alegria está em servir.

Leia mais